Catadores de materiais recicláveis e a pandemia de COVID-19: o caso da COOPTRESC

Os efeitos da pandemia de COVID-19 na cadeia de reciclagem foram devastadores. Os mais atingidos foram, de longe, os catadores de materiais recicláveis, que são responsáveis por 90% da reciclagem do Brasil.

Como está a situação dos catadores no Brasil?

As fábricas, restaurantes e comércios estão praticamente fechados, para evitar que a doença se prolifere, e, assim, os mais de um milhão de catadores do Brasil passam por uma redução média de 80% em sua renda, que é em torno de um salário mínimo (El País, 2020), já que são a maior fonte geradora de renda para eles.

De acordo com o jornal El País (2020), eles agora estão dependendo das “sacolinhas”, referente ao lixo reciclável residencial, entretanto, é um material mais difícil de separar, pois possui pouco volume, é mais perigoso por entrar em contato com muitas pessoas e por isso tem maior chance de estar contaminado com o vírus, e tem um retorno financeiro menor, o que prejudica ainda mais essa população de alta vulnerabilidade social que já possui condições de saúde deficientes devido à má alimentação e condições precárias de moradia e saneamento básico, tornando-os grupo de risco. 

Fardo de garrafas plásticas.

Ainda, as empresas que compram os materiais recicláveis separados e prensados suspenderam suas atividades, ou seja, os materiais não estão sendo comprados, reduzindo drasticamente o valor pago aos catadores (El País, 2020). Assim, o material se acumula nos galpões das cooperativas esperando o retorno do mercado da reciclagem. Algumas cooperativas inclusive, por estarem com as atividades suspensas ou restritas, sofrem saqueamentos aos galpões e perdem ainda mais materiais. 

A situação da COOPTRESC

Como se não bastasse toda essa situação, a COOPTRESC, cooperativa de materiais recicláveis da cidade de São Caetano no ABC Paulista recebeu no dia 08.06.2020 um documento do SAESA (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de São Caetano) rescindindo o contrato, pedindo para que desocupassem o galpão sem maiores explicações.

São 26 famílias, compostas em sua maioria por mães solos e refugiados haitianos, que dependem deste trabalho para pagar suas contas e sobreviver, já que não possuem outra fonte de renda.

Atualmente os catadores continuam trabalhando na cooperativa, com renovação do contrato por mais três meses, pois junto ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) os cooperados conseguiram pressionar o governo, ocupando a base de operação e acionando o ministério público, fazendo com que essa situação fosse recuada. 

Foto: catadoras e catadores de materiais recicláveis da COOPTRESC recebem doações de 26 cestas básicas no dia 13.06.2020 do projeto Cata-Comigo.

Apoie o projeto Cata-Comigo?!

Enxergando este cenário pandêmico e entendendo a urgência de ajudar essa população que tanto contribui para a cadeia de reciclagem no cenário brasileiro, surgiu em março o projeto Cata-Comigo, idealizado pelo Fernando Beltrame, Presidente da Eccaplan Consultoria em Sustentabilidade, que leva cestas básicas para famílias de catadores e catadoras de materiais recicláveis que sofrem com todas estas ações.

Foi negociado o valor de R$50,00 para uma cesta que possui mais de 6kg e com o apoio da rede CataSampa, da CooperFênix e do Eduardo do Movimento Nacional dos Catadores encontramos famílias que precisam de ajuda e levamos as doações até elas. Estamos atualmente na 17ª ação, o que corresponde a entrega de quase 750 cestas básicas. Uma das cooperativas apoiadas foi a COOPTRESC e estamos juntos para que possam permanecer onde estão e continuar tendo sua renda garantida.

Mapa de entregas da ação Cata-Comigo.

Quer saber como ajudar? Siga o projeto nas redes sociais! 

Instagram: @catacomigo

Facebook: facebook.com/catacomigo

Referências: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-04-14/pandemia-faz-sumir-trabalho-e-renda-de-catadores-somos-grupos-de-risco-tem-idoso-fumante-diabetico-e-cardiaco.html

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