Atualmente, espera-se que uma empresa reduza emissões, reveja sua cadeia de fornecedores, melhore as condições de trabalho e operacionalidade e adote práticas de governança mais responsáveis.
Porém, a questão central reside em como essas iniciativas podem e devem se conectar à gestão e às decisões que definem o próprio negócio.
Certamente, é nesse ponto que o Sistema B se diferencia de uma certificação baseada em uma única dimensão.
Um modelo que pondera impactos e criação de valor
Em outras palavras, o modelo examina a empresa a partir de diferentes frentes de impacto.
Dessa forma, ele estabelece diferentes parâmetros para avaliar como se dá a criação de valor para acionistas. Ao mesmo tempo, o sistema considera trabalhadores, comunidades, clientes e, principalmente, meio ambiente.
A lógica é simples, mas suas implicações são profundas.
Em princípio, os efeitos deixam de ser apenas consequências da atividade corporativa cotidiana e passam a ser critérios para orientar o modo como a empresa opera, toma decisões e se relaciona com seus stakeholders.
Definindo o que é o Sistema B: conceitos básicos
De forma geral, o Sistema B é um movimento global que busca redefinir o papel das empresas na sociedade.
Efetivamente, sua proposta se fundamente sobre visão de negócio em que resultados financeiros convivem com responsabilidade sobre os desdobramentos produzidos pela atividades da empresa e sua cadeia de valor.
Criado pelo B Lab, o movimento reúne empresas que assumem compromissos de longo prazo com pessoas, comunidades, meio ambiente e governança.
Particularmente, no Brasil, a iniciativa é conduzida pelo Sistema B Brasil, que atua para ampliar essa nova forma de fazer negócios e fortalecer uma comunidade corporativa orientada pelo impacto e pelo compliance.
Nesse contexto, uma pergunta se impõe: de que maneira esse modelo pode contribuir para o valor competitivo de uma empresa? E como conciliar resultados financeiros e compromisso socioambiental, em vez de tratá-los como objetivos incompatíveis?
É o que apresentaremos a seguir.

O que significa ser uma Empresa B?
Especificamente, ser uma Empresa B Certificada significa passar por uma avaliação abrangente das práticas e dos impactos da organização.
Como mencionamos anteriormente, o processo considera aspectos relacionados à governança, às pessoas, à comunidade, ao meio ambiente e à forma como a empresa se relaciona com seus diferentes públicos.
Além disso, a certificação exige compromissos formais de responsabilidade e transparência. Ou seja, não se trata simplesmente de receber um selo e colocá-lo na assinatura de e-mail.
Na prática, a empresa precisa demonstrar que possui, de fato, políticas, processos e práticas compatíveis com os padrões estabelecidos pelo B Lab, organização responsável pela certificação.
Evidentemente, alguns temas formam o eixo central de avaliação. Entre estes, podemos listar alguns:
- Governança das partes interessadas e propósito
- Trabalho justo
- Justiça, equidade, diversidade e inclusão
- Direitos humanos
- Ação climática
- Circularidade e gestão ambiental
- Assuntos governamentais e ação coletiva
Dessa forma, a avaliação olha para a empresa de maneira transversal. Não somente para aquilo que ela vende, mas igualmente para a maneira como opera.
Qual o caminho que uma empresa percorre para chegar à certificação?
Primeiramente, a organização precisa atender a requisitos fundamentais relacionados à elegibilidade, responsabilidade legal e perfil de risco.
Em seguida, passa pela definição do escopo da certificação e realiza uma autoavaliação detalhada na plataforma B Impact, reunindo documentos e evidências sobre suas práticas.
Posteriormente, o processo passa por uma etapa de verificação independente. Portanto, a certificação não depende apenas das informações declaradas pela própria empresa.
Hoje em dia, o processo do Sistema B está estruturado em 13 etapas, que vão desde o registro da empresa e a avaliação dos requisitos fundamentais até a verificação, emissão do certificado e auditorias de acompanhamento.
E vale acrescentar um dos fatores fundamentais: a certificação não representa um ponto final.
Os novos padrões do B Lab tratam a certificação como uma jornada de melhoria contínua. Por isso, o ciclo prevê diferentes momentos de acompanhamento, incluindo auditorias nos anos 0, 3 e 5.
Qual a vantagem competitiva real para uma empresa?
Para uma liderança empresarial, talvez essa seja a questão central.
Uma certificação desse tipo pode ajudar a transformar sustentabilidade de uma agenda paralela em parte da estratégia e da gestão.
Afinal, o processo exige que diferentes áreas da empresa olhem para seus impactos, identifiquem lacunas e encontrem oportunidades de melhoria e da regeneração.
Além disso, fazer parte do Movimento B significa integrar uma comunidade global de empresas que compartilham esse compromisso.
Para clientes, parceiros, profissionais e outros stakeholders, a certificação também funciona como uma forma de demonstrar que determinadas práticas passaram por um processo estruturado de avaliação e verificação.
Sendo assim, o valor da certificação está tanto no reconhecimento externo quanto no processo que acontece dentro da empresa.
E é justamente esse percurso que interessava à Eccaplan, hoje uma Empresa B Certificada.

Eccaplan no Sistema B, case de sucesso
A entrada da Eccaplan no círculo de Empresas B Certificadas representa uma nova etapa em uma trajetória que já tem a sustentabilidade como parte central de sua atuação.
Mas o que foi necessário fazer para chegar até aqui?
Quais áreas participaram do processo? Que desafios apareceram no caminho? O que a avaliação revelou sobre a própria empresa? E, principalmente, o que muda a partir de agora?
Para responder a essas perguntas, conversamos com duas experts do time da Eccaplan que estiveram à frente do processo: Adriana Couto, Head de Inovação e ESG e Patrícia Novais, Gerente Administrativa de RH.
Elas contam com exclusividade os bastidores da certificação, os aprendizados ao longo de cada etapa e os passos subsequentes à obtenção do certificado.
Da prática à comprovação
A decisão de buscar a certificação veio depois de mais de 15 anos de atuação em sustentabilidade. Para a equipe, era o momento de submeter esse trabalho a uma validação externa. Como afirma Patrícia:
O desafio não consistia em apenas falar que a gente faz bem feito, mas provar através de critérios auditáveis.
O processo começou em janeiro de 2024 e passou pela Avaliação de Impacto B, que considera cinco frentes: ambiente, trabalhadores, comunidade, governança e clientes.
Contudo, mais do que atender às exigências da certificação, uma parte significativa do trabalho se baseava em organizar internamente práticas que já faziam parte da rotina da empresa.
Dessa maneira, políticas, processos e procedimentos precisaram ser reunidos, formalizados e documentados, ações que requerem diligência e transparência.
Esse foi também um dos principais desafios do percurso. Como resume Adriana:
A virada de chave estava em encontrar o modo correto de apresentar e comunicar com a máxima fidelidade o ‘jeito Eccaplan de atuar e operar’, que sempre existiu em documentação formal, políticas escritas e processos auditáveis.
A experiência mostrou que aquilo que já estava incorporado à cultura da empresa nem sempre estava registrado de maneira sistemática. Portanto, o processo de certificação também serviu para estruturar a dimensão institucional da Eccaplan.
118,5 pontos: o que a avaliação revelou
O resultado da Avaliação de Impacto B trouxe outro elemento importante para a trajetória.
A Eccaplan alcançou 118,5 pontos, acima dos 80 pontos mínimos necessários para a certificação e da média de 50,9 atribuída às empresas comuns no material da avaliação.
Mais ainda, o resultado ajudou a identificar os pontos fortes e aqueles que ainda podem avançar. As categorias ambiente e trabalhadores apareceram como as dimensões de maior destaque.
Assim, a certificação não funcionou apenas como uma validação do que a empresa já fazia. O processo também ajudou a enxergar onde havia espaço para evoluir.

Uma validação que continua
Para clientes, parceiros e demais públicos, a certificação representa uma validação externa de práticas submetidas a critérios auditáveis. Ao mesmo tempo, formaliza o propósito da Eccaplan de contribuir para uma economia mais justa e de baixo carbono e insere a empresa em uma rede global de organizações comprometidas com esse objetivo.
A certificação, porém, não encerra o processo. Como ressalta Patrícia Novais:
A ideia é que isso transcenda a ação pontual e se consolide cada vez mais como prática contínua, integrada aos processos e à rotina, de modo que se torne um padrão corriqueiro e sistemático.
Entre os objetivos estão ampliar o alcance dos projetos de carbono, fortalecer a inclusão de cooperativas de catadores na gestão de resíduos e levar a cultura B para o cotidiano da equipe.
“Queremos levar isso pra dentro de casa: reforçar a cultura B no dia a dia da equipe”, destaca Adriana Couto.
Também fazem parte desse caminho o uso do selo na comunicação institucional, a continuidade das iniciativas internas de diversidade e a preparação para os próximos ciclos de recertificação.
No fim, talvez esse seja um dos principais aprendizados da experiência da Eccaplan: a certificação não se resume ao momento em que a empresa recebe o selo. Ela cria uma referência para acompanhar, estruturar e ampliar aquilo que já vem sendo construído.
Sua empresa também pode transformar sustentabilidade em prática de gestão. Converse com nosso time de especialistas e conheça os caminhos para estruturar, mensurar e ampliar seus impactos positivos.


