GHG Protocol 2026: os gargalos das empresas na gestão de emissões

Os dados do ciclo revelam avanços, desafios e novas demandas para a gestão corporativa de GEE no Brasil
GHG Protocol 2026 resultados e relatório, análise Eccaplan

Em agosto, mês de divulgação dos resultados do Ciclo 2026 do Programa Brasileiro GHG Protocol, uma pergunta veio à tona: o que os inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) revelam sobre a gestão climática das empresas brasileiras?

Em primeiro lugar, é fundamental destacar a importância da publicação desse documento, o qual reúne os inventários referentes às emissões ocorridas em 2025.

Mais do que registrar emissões e comunicar desempenhos, os dados ajudam a entender como as empresas estão incorporando essa informação à gestão e quais desafios ainda permanecem nesse caminho.

Uma síntese do ano-base de 2025

O ciclo terminou com 757 organizações participantes e 1.447 inventários publicados, números que representam crescimento de 12% e 10%, respectivamente, em relação ao ciclo anterior.

O avanço da participação empresarial é indiscutivelmente relevante.

Porém, à medida que mais empresas passam a medir e reportar suas emissões, é inevitável refletir sobre o que esses números revelam, de fato, sobre gargalos e avanços de cada setor e sobre o cenário corporativo brasileiro como um todo, no que tange ao compromisso climático de mensuração e compensação de emissões de GEE.

É nesse ponto que a gestão de emissões deixa de ser apenas um exercício de contabilização e passa a apoiar decisões, definição de metas e estratégias de redução para os anos seguintes.

Os resultados do GHG Protocol 2026 e as empresas brasileiras

Antes de olhar para os detalhes, vale entender o que está sendo medido.

O Programa Brasileiro GHG Protocol, criado em 2008 pelo FGVces, adapta a metodologia do GHG Protocol ao contexto brasileiro. Igualmente, oferece ferramentas de cálculo, capacitação e um sistema público para a divulgação dos inventários corporativos.

Assim, o Registro Público de Emissões funciona como uma espécie de retrato coletivo da evolução da contabilização de GEE no país, como mencionamos anteriormente.

No Ciclo 2026, esse retrato ganhou escala e podemos constatar isso nos registros a seguir:

  • 757 organizações participaram do programa.
  • 1.447 inventários foram publicados.
  • Os inventários têm como referência as emissões ocorridas em 2025.
  • O número de organizações cresceu 12% em relação ao ciclo anterior.
  • A quantidade de inventários aumentou 10%.

Ademais, a abrangência dos dados já permite observar uma parcela relevante das emissões brasileiras. Para algumas fontes, a participação dos inventários registrados no programa supera 50% das emissões nacionais. Na combustão estacionária, chega a 55%; já nos processos industriais, alcança 75%.

Portanto, o conjunto de dados deixou de ser apenas uma referência para as empresas participantes. Ele também ajuda a compreender setores, fontes emissoras e desafios da agenda climática empresarial brasileira.

Escopo 3 e qualidade dos informes: a parte mais difícil do inventário

O crescimento dos inventários não significa que todas as etapas da contabilização tenham avançado no mesmo ritmo. Prova disso está no principal ponto de atenção, o Escopo 3, que reúne as emissões indiretas associadas à cadeia de valor da organização.

Na sondagem realizada pelo PBGHG com mais de 500 organizações-membro, 40% apontaram o engajamento da cadeia de valor como um obstáculo. Além disso, 22% citaram a qualidade, a disponibilidade e a gestão dos dados como desafios.

Isso ajuda a explicar por que o Escopo 3 continua sendo uma fronteira importante para a gestão de emissões. Afinal, a dificuldade não está apenas no cálculo. Muitas vezes, a informação necessária está fora do alcance da empresa.

Isso ocorre, porque cada empresa depende de uma longa cadeia que envolve fornecedores, clientes, transportadoras, instituições financeiras, parceiros e outras organizações.

Os exemplos apresentados pela FGV durante o evento mostram essa multiplicidade de panoramas em diferentes empresas de diversos setores.

A Copasa, por exemplo, utilizou dados de seu sistema ERP para estimar emissões relacionadas a bens, serviços e capital. A Riachuelo discutiu a necessidade de engajar fornecedores de diferentes portes. Por sua vez, a Flex relatou que 99% de suas emissões estão no Escopo 3 e que sua gestão envolve cerca de 16 mil parceiros.

Como podemos traduzir esses dados?

Primeiramente, fica evidente que a qualidade de um inventário depende cada vez mais da qualidade dos registros que circulam nas organizações, que, consequentemente, dependem das metodologias e principalmente da transparência no compartilhamento de informações precisas.

É lógico, portanto, que esse movimento também mude o papel do inventário.

Em outras palavras, ele é mais do que um documento anual, passando a funcionar como uma base de informação para decisões operacionais, compras, relacionamento com fornecedores, investimentos e planejamento climático.

O inventário de GEE também entra no radar regulatório

Ao mesmo tempo, a expansão dos inventários acontece em um ambiente regulatório que está mudando.

Um dos principais marcos é a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

A legislação estabelece as bases do mercado regulado de carbono no país e prevê obrigações de monitoramento, relato e verificação de emissões para instalações e fontes abrangidas pelo sistema.

Uma implementação gradual

Em 2026, o Ministério da Fazenda abriu consulta pública sobre uma proposta de cronograma para as obrigações de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) no âmbito do SBCE. A proposta estabelece uma implementação progressiva dessas obrigações para os setores econômicos abrangidos.

Além disso, o Comitê Técnico Consultivo Permanente do SBCE já conta com um grupo de trabalho dedicado especificamente ao MRV. A iniciativa tem entre seus objetivos subsidiar tecnicamente a implementação do sistema.

Na prática, isso aumenta a importância de informações ambientais consistentes, rastreáveis e comparáveis.

Para as empresas que poderão estar sujeitas às obrigações do mercado regulado, conhecer suas emissões deixa de ser apenas uma questão de transparência voluntária. Passa a fazer parte também da preparação para um ambiente regulatório mais estruturado.

Por isso, manter dados organizados, metodologias documentadas e processos de coleta bem definidos tende a ser cada vez mais relevante.

Tecnologia de gestão de emissões de GEE desenvolvida pela Eccaplan

O que muda no Ciclo 2027 do GHG Protocol?

Os resultados de 2026 apontam para uma próxima etapa menos concentrada na simples elaboração do inventário e mais voltada à qualidade da informação, à gestão e ao aprimoramento metodológico.

O próprio Programa Brasileiro GHG Protocol já apresenta o Ciclo 2027 como uma nova etapa, com atualizações, atividades e orientações específicas para as organizações participantes.

Esse movimento ocorre justamente quando a agenda climática empresarial passa a exigir maior capacidade de acompanhar cadeias de valor, organizar dados e responder a diferentes demandas de relato.

Nesse contexto, três frentes ganham importância:

  • aprimorar a qualidade e a rastreabilidade dos dados utilizados no inventário;
  • ampliar a capacidade de contabilização das emissões da cadeia de valor;
  • integrar inventário, metas e gestão de emissões aos processos de decisão da empresa.

Além disso, a evolução do mercado regulado de carbono tende a aumentar a importância do monitoramento, relato e verificação.

O caminho, portanto, não aponta apenas para mais inventários, mas inventários mais úteis, transparentes e, se possível, abrangentes, como os setoriais.

Isso significa melhorar processos de coleta, revisar fontes de emissão, identificar lacunas e construir uma série histórica capaz de apoiar decisões.

Em outras palavras, a próxima etapa da gestão de GEE passa por transformar informação ambiental em informação de gestão.

Do registro à gestão: como transformar o inventário em resultado?

Os números do Ciclo 2026 mostram que a contabilização de emissões já ocupa um espaço relevante entre as organizações brasileiras.

E o inventário é um ponto de partida, pois a partir dele, a empresa consegue identificar suas principais fontes de emissão, compreender quais operações concentram maior impacto e estabelecer prioridades para redução. Subsequentemente, a gestão de emissões ganha importância e fortalece os processos de mensuração e compensação de uma empresa.

Assim, um processo estruturado envolve as seguintes etapas:

  • levantamento e organização dos dados de atividade;
  • elaboração do inventário de emissões de GEE;
  • identificação das principais fontes emissoras;
  • análise da cadeia de valor e das categorias de Escopo 3;
  • definição de indicadores e metas;
  • acompanhamento periódico dos resultados;
  • identificação de oportunidades de redução.

Esse trabalho também ajuda a responder a uma questão que aparece marcadamente nos resultados da FGV: como sair do diagnóstico e chegar à ação efetiva?

A sondagem do Ciclo 2026 mostra que 62% dos respondentes possuem metas voluntárias de mitigação. Entre as organizações que adotam metas, cerca de 40% trabalham com compromissos de Net Zero. Ao mesmo tempo, metade dos respondentes aponta custos e viabilidade financeira como uma das principais barreiras à implementação.

Um desafio além de qualquer cálculo

É nessa etapa que o inventário começa, de fato, a gerar valor para a empresa. Os dados permitem identificar as principais fontes de emissão, definir prioridades, revisar processos e acompanhar a evolução dos resultados. Mas, para isso, precisam estar organizados e conectados a uma estratégia de gestão.

É justamente esse trabalho que a Eccaplan desenvolve com as empresas: transformar os dados do inventário de GEE em uma base para a gestão das emissões, com identificação das fontes emissoras, organização das informações e apoio à definição de caminhos para redução e acompanhamento dos resultados.

Na prática, isso pode envolver desde a elaboração e atualização do inventário até o monitoramento das emissões e a estruturação de estratégias para reduzi-las. O objetivo é fazer com que o inventário deixe de ser um documento isolado e passe a integrar a tomada de decisão.

O avanço registrado pelo GHG Protocol em 2026 mostra que a cultura de mensuração está crescendo no Brasil. Agora, o desafio é transformar esse crescimento em capacidade de gestão.

E é aí que começa a próxima etapa: entender o que os números estão dizendo sobre a operação e quais decisões podem ser tomadas a partir deles.

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Soluções sustentáveis da Eccaplan

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