Emissões de escopo 3: o desafio da sustentabilidade corporativa

Saiba como medir as emissões de escopo 3, identificar riscos e fortalecer a gestão climática da sua empresa
Emissões de escopo 3

A mensuração de gases de efeito estufa (GEE) por empresas e organizações começou no fim dos anos 1990.

No entanto, foi nos últimos anos que essa prática ganhou força de forma acelerada.

Isso aconteceu, principalmente, por causa do agravamento da crise climática e, consequentemente, pelo avanço das exigências regulatórias e dos compromissos ambientais assumidos por instituições públicas e privadas em todo o mundo.

Assim, medir emissões deixou de ser apenas uma iniciativa voluntária.

Pelo contrário, tornou-se um passo estratégico para empresas que querem se manter competitivas, transparentes e alinhadas às novas exigências do mercado.

A pressão por transparência climática só aumenta

Como destaca o WRI Brasil, os últimos anos, o cenário regulatório passou a reforçar essa urgência.

Em 2022, nos Estados Unidos, a U.S. Securities and Exchange Commission (SEC) propôs a obrigatoriedade do reporte de emissões para companhias abertas.

Em seguida, em 2023, a União Europeia aprovou a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), estabelecendo que empresas com atuação no bloco europeu deverão divulgar seus dados climáticos a partir de 2025.

Ao mesmo tempo, no cenário global, o International Sustainability Standards Board (ISSB) lançou a norma IFRS S2. Embora seja uma diretriz voluntária em essência, sua adoção tem auxiliado no balizamento de ações e no incremento da transparência não apenas das emissões operacionais, mas de toda a cadeia de valor.

Esse movimento evidencia uma mudança importante, considerando que o monitoramento de emissões é o ponto de partida para qualquer estratégia climática consistente. Sem dados, não há gestão. E, por lógica, sem gestão, não é possível realizar uma redução efetiva da “pegada de carbono”.

Por isso, se a meta global é cortar as emissões quase pela metade até 2030 e alcançar o net zero nas próximas décadas, o caminho começa com um inventário de carbono robusto e integrado.

Tecnologia de gestão de emissões de GEE desenvolvida pela Eccaplan

Entender emissões exige olhar para além da operação

No entanto, além de contar com um sistema de gestão de emissões de GEE, é fundamental desenvolver uma visão ampla sobre como as diferentes categorias de emissões impactam a operação e influenciam a sustentabilidade do negócio.

 Isso porque as emissões não estão restritas às instalações ou aos processos diretos.

Na prática, elas também aparecem nas matérias-primas adquiridas, no transporte, na logística e até no uso dos produtos ou serviços vendidos ao consumidor final.

Por isso, medir emissões exige uma visão muito mais ampla da cadeia de valor. Afinal, é essa análise que permite identificar os maiores impactos e, assim, construir estratégias mais eficazes de redução.

Nesse sentido, para calcular sua pegada de carbono de forma integral, uma empresa precisa avaliar suas emissões em três escopos.

Os três escopos e o protagonismo do escopo 3

O escopo 1 reúne as emissões diretas, ou seja, aquelas geradas por fontes que a própria empresa possui ou controla. É o caso, por exemplo, da queima de combustível em veículos da frota ou em processos industriais.

Já o escopo 2 contempla as emissões indiretas associadas à energia comprada, como eletricidade, aquecimento ou resfriamento. Embora não aconteçam dentro da operação, elas existem como consequência do consumo energético da empresa.

No entanto, é no escopo 3 que está o maior desafio e, muitas vezes, o maior volume de emissões.

Isso porque ele engloba todas as emissões indiretas ao longo da cadeia de valor, tanto na origem quanto no destino.

Em outras palavras, estamos falando das emissões geradas por fornecedores, transporte, distribuição, uso do produto pelo cliente e até descarte final.

Por exemplo, no caso de um celular, as emissões ligadas à extração de minerais, à fabricação de componentes e ao transporte até o consumidor fazem parte do escopo 3. 

Da mesma forma, a energia consumida durante o uso do aparelho e seu descarte também entram nessa conta.

Por isso, o escopo 3 merece atenção especial, independentemente do porte ou do setor de atuação da empresa. 

Isso porque ele amplia a visão sobre o impacto real de um negócio e, além disso, revela oportunidades concretas para reduzir emissões em toda a cadeia de valor. 

Os 4 escopos de emissões de carbono
Os escopos de emissão de GEE, com base nos dados do GHG Protocol e WRI (2026).

Como mensurar as emissões de escopo 3?

Medir as emissões de escopo 3 é um processo mais complexo do que calcular os escopos 1 e 2. Isso porque ele envolve toda a cadeia de valor da empresa, desde a aquisição de insumos até o uso e descarte dos produtos pelo consumidor final.

Por esse motivo, muitas organizações encontram dificuldades logo no início.

Afinal, identificar quais fontes devem ser consideradas e quais metodologias aplicar exige conhecimento técnico e uma visão integrada do negócio.

Nesse contexto, frameworks internacionais como o GHG Protocol (Scope Calculation Guidance) ajudam a estruturar esse processo.

O protocolo organiza o escopo 3 em 15 categorias distintas, que abrangem tanto atividades upstream quanto downstream da cadeia, como indica a imagem a seguir.

As 15 categorias das emissões de escopo 3

Além disso, cada categoria pode exigir uma metodologia específica de cálculo. Nesse sentido, a escolha do método mais adequado depende da disponibilidade de dados, do nível de maturidade da empresa e do objetivo do inventário.

Ao mesmo tempo, é importante entender que a mensuração do escopo 3 não precisa começar de forma perfeita. Em muitos casos, o primeiro passo é mapear as fontes mais relevantes e, gradualmente, aprimorar a qualidade dos dados.

Assim, a empresa constrói uma visão mais ampla sobre seus impactos e consegue identificar onde estão os maiores riscos, custos e oportunidades de redução.

Em outras palavras, medir o escopo 3 não é apenas uma exigência de transparência. É também uma ferramenta estratégica para fortalecer uma gestão climática realista e consistente e acelerar a transição para uma descarbonização sólida.

Dados primários e secundários

Outro ponto essencial na mensuração do escopo 3 está na qualidade das informações utilizadas. Em geral, as empresas trabalham com dois tipos principais de dados.

Os dados primários são aqueles obtidos diretamente com fornecedores ou parceiros da cadeia de valor. Eles estão ligados a atividades específicas e, por isso, oferecem maior precisão e confiabilidade.

Já os dados secundários incluem médias setoriais, bases públicas, estatísticas governamentais, estudos acadêmicos e informações financeiras.

Em alguns casos, também podem ser utilizados dados de atividades semelhantes para estimar outras etapas do processo. Nesse cenário, eles são chamados de dados proxy, já que não representam exatamente a atividade original, mas servem como aproximação.

Dados primários e secundários das emissões de escopo 3

Por isso, quanto maior o uso de dados primários, mais robusto e preciso tende a ser o inventário de emissões.

No entanto, na prática, muitas empresas ainda precisam combinar diferentes fontes de informação para construir uma visão completa da sua cadeia de valor.

Desse modo, a mensuração do escopo 3 exige não apenas metodologia, mas também estrutura, consistência e capacidade de integração de dados ao longo de toda a operação.

Como coletar dados primários e secundários

A coleta de dados para o escopo 3 pode ser feita de duas formas principais: dados primários e dados secundários.

E cada uma delas tem papel importante na construção de um inventário de emissões mais completo e confiável, como vemos a seguir.

Coleta de dados primários

Os dados primários são aqueles obtidos diretamente das atividades da cadeia de valor da empresa. Em geral, eles oferecem maior precisão, pois estão ligados a processos específicos.

Essas informações podem ser coletadas por diferentes meios, como:

  • leituras de medidores e sensores
  • registros de compras e notas fiscais
  • contas de energia e utilidades
  • modelos de engenharia e cálculos técnicos
  • monitoramento direto das operações
  • balanço de massa e métodos estequiométricos

Além disso, sempre que possível, é recomendável coletar dados diretamente com fornecedores e parceiros da cadeia de valor. Isso é especialmente importante em categorias prioritárias do escopo 3, onde os impactos são mais significativos.

Nesse sentido, devem ser priorizados fornecedores-chave, como fabricantes contratados, fornecedores de matérias-primas, equipamentos e combustíveis, operadores logísticos e empresas de gestão de resíduos.

Por esse motivo, quanto mais específico e representativo for o dado em relação à atividade analisada, maior será a qualidade do inventário de emissões.

Coleta de dados secundários

Quando não é possível obter dados primários, entram os dados secundários. Nesse caso, a escolha da fonte é determinante para a confiabilidade do cálculo.

Por isso, recomenda-se priorizar bases reconhecidas internacionalmente, dados oficiais de governos e estudos revisados por pares. Essas fontes tendem a oferecer maior consistência e densidade metodológica.

Ademais, é necessário avaliar a qualidade dos dados considerando critérios como representatividade tecnológica, temporal e geográfica. Isso ajuda a garantir maior aderência à realidade das operações.

Ao mesmo tempo, é preciso compreender os limites de cada base de dados utilizada. Dessa forma, evita-se sobreposição de informações e riscos de dupla contagem ao longo da cadeia de valor.

Por fim, é importante reforçar que as bases de dados disponíveis para cálculo são referências metodológicas. Assim, podem ser complementadas por outras fontes, desde que haja coerência técnica e consistência na aplicação.

Transformando o escopo 3 em um aliado da agenda de gestão climática

A partir da compreensão de todo esse contexto, o escopo 3 deixa de ser apenas um desafio técnico e passa a ocupar uma posição estratégica dentro da gestão climática corporativa.

Isso porque ele concentra grande parte das emissões e, ao mesmo tempo, revela oportunidades importantes de eficiência, inovação e redução de impactos.

Assim, quando bem estruturado, o inventário de escopo 3 se torna uma ferramenta de gestão, indo além de qualquer reporte. Ele apoia decisões mais conscientes, fortalece a relação com fornecedores e melhora a qualidade da informação ambiental da empresa.

No entanto, transformar esse nível de complexidade em um sistema consistente de gestão de emissões exige método, experiência e suporte técnico especializado.

Por isso, contar com uma abordagem robusta pode acelerar esse processo e garantir maior confiabilidade nos resultados.

O papel da expertise na gestão estratégica de emissões

Nesse sentido, a Eccaplan atua apoiando organizações na construção de inventários de emissões de carbono, na gestão de emissões de GEE e no desenvolvimento de estratégias climáticas mais robustas e aplicáveis à realidade de cada negócio.

Mais ainda, a plataforma de projetos socioambientais certificados da Eccaplan, a Carbonfair, amplia esse ecossistema de soluções ao conectar empresas a iniciativas de compensação e mitigação de impactos ambientais.

Dessa forma, torna-se possível transformar compromissos climáticos em ações concretas, mensuráveis e alinhadas às metas de sustentabilidade corporativa. E, claro, eliminar gargalos no processo de descarbonização e implementação de iniciativas verdadeiramente sustentáveis.

É importante ter algo em mente sempre: mais do que atender exigências regulatórias ou fortalecer relatórios, a gestão estratégica das emissões se consolida como um diferencial competitivo para organizações que querem construir valor em uma economia de baixo carbono, demanda básica do mercado na atualidade.

Sua empresa já sabe onde estão as maiores emissões da cadeia de valor? Conte com a Eccaplan para mapear, mensurar e gerenciar suas emissões de carbono com mais precisão, segurança e estratégia.

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Soluções sustentáveis Eccaplan

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