GHG Protocol: guia completo para empresas

Entenda o GHG Protocol, os Escopos 1, 2 e 3 e como o inventário de emissões apoia a gestão climática da sua empresa.
Usina industrial com chaminés e turbinas eólicas ilustrando o GHG Protocol

As empresas são cada vez mais chamadas a conhecer, mensurar, divulgar e reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Para isso, é preciso transformar as emissões geradas por suas atividades em dados confiáveis, organizados e comparáveis, e é aí que entra o GHG Protocol, principal metodologia mundial para esse fim.

É nesse contexto que o GHG Protocol se consolidou como uma das principais referências (veja o site oficial da metodologia) para a contabilização e o relato de emissões no mundo. Dessa forma, a metodologia estabelece critérios para identificar fontes emissoras, organizar informações e acompanhar o desempenho climático das organizações. Veja também a análise da Eccaplan sobre os resultados do GHG Protocol 2026.

Mas como surgiu o GHG Protocol? O que exatamente sua metodologia estabelece? E qual é a importância de um inventário de emissões para a gestão climática de uma empresa? Portanto, para responder a essas questões, vamos partir do próprio conceito.

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O cenário brasileiro

No Brasil, essa abordagem ganhou uma estrutura própria com o Programa Brasileiro GHG Protocol, que adapta a metodologia ao contexto nacional e oferece ferramentas para elaboração e publicação de inventários de GEE.

O que é o GHG Protocol?

Em primeiro lugar, o GHG Protocol é um conjunto de padrões, orientações e ferramentas para contabilizar e comunicar emissões de gases de efeito estufa.

Na origem, a iniciativa foi criada em 1998 pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), com a participação de empresas, governos, organizações não governamentais e outros especialistas.

A primeira edição do GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard foi publicada em 2001. Desde então, o método tornou-se uma das principais referências para inventários corporativos de emissões de GEE em diferentes países e setores.

Uma linguagem comum para medir e relatar emissões

Em outras palavras, isso permite que os dados sejam organizados de maneira consistente, transparente e comparável.

Além disso, ajuda as empresas a identificar suas principais fontes emissoras e a utilizar essas informações na tomada de decisões.

O GHG Protocol também não se limita ao cálculo de CO₂. Com efeito, a metodologia considera diferentes gases de efeito estufa e converte suas emissões em dióxido de carbono equivalente (CO₂e), permitindo consolidar diferentes gases em uma mesma unidade de medida.

Primeiramente, os principais gases considerados nocivos para a questão ambiental encontram-se na lista abaixo:

Principais gases de efeito estufa (GEE)

Os seis gases contabilizados em inventários corporativos segundo o GHG Protocol. Toque em um gás para ver suas fontes comuns.

CO2Dióxido de carbono
Fontes comunsQueima de combustíveis fósseis, processos industriais e mudanças no uso da terra.
CH4Metano
Fontes comunsPecuária, aterros e tratamento de resíduos, e produção de petróleo e gás.
N2OÓxido nitroso
Fontes comunsUso de fertilizantes nitrogenados, processos industriais e queima de combustíveis.
HFCsHidrofluorcarbonos
Fontes comunsSistemas de refrigeração e ar-condicionado e aerossóis.
PFCsPerfluorcarbonos
Fontes comunsProdução de alumínio e fabricação de semicondutores.
SF6Hexafluoreto de enxofre
Fontes comunsIsolamento de equipamentos elétricos de alta tensão.

Fonte: GHG Protocol

Assim, o inventário de GEE funciona como uma espécie de “contabilidade climática” da organização como um todo.

Por que o GHG Protocol é importante?

Certamente, é indiscutível que medir emissões é o primeiro passo para gerenciá-las.

E é aí que o inventário de emissões de GEE se torna um trunfo especial, pois ele permite identificar quais atividades, operações e fontes concentram as emissões de uma organização.

Em seguida, a partir dessa informação, é possível estabelecer prioridades, definir metas e acompanhar a evolução dos resultados para realizar mudanças e melhorias.

Mais ainda, uma metodologia padronizada aumenta a qualidade e a credibilidade das informações climáticas divulgadas pela empresa.

Desse modo, o GHG Protocol estabelece princípios como relevância, integralidade, consistência, transparência e exatidão. Em outras palavras, esses princípios ajudam a produzir informações mais confiáveis e úteis para decisões internas e para diferentes públicos externos, como vemos na imagem abaixo.

Inventário de GEE como catalisador estratégico

Por isso, um inventário bem elaborado pode apoiar:

Inventário de GEE bem elaborado
Estratégias de redução de emissões
Metas climáticas e de descarbonização
Gestão de riscos e oportunidades climáticos
Processos de reporte e transparência
Demandas de clientes e investidores
Critérios ESG
Preparação para novas exigências regulatórias
Acompanhamento da evolução das emissões

Acrescente-se a isso o fato de que o inventário cria uma base de dados que pode ser utilizada em diferentes etapas da estratégia climática.

Em suma, o objetivo não deve ser apenas descobrir “quanto a empresa emite”. Ainda assim, o mais importante é entender o que esses dados revelam sobre a operação e quais decisões podem ser tomadas a partir deles.

Como funciona o inventário de emissões?

Basicamente, um inventário de emissões de GEE começa pela definição dos limites da organização e pela identificação das fontes emissoras que devem ser contabilizadas.

Depois, são levantados dados de atividade, como consumo de combustíveis, eletricidade, viagens, transporte, geração de resíduos e outros dados relacionados às operações e à cadeia de valor.

Em seguida, esses dados são associados a fatores de emissão para estimar a quantidade de GEE emitida, a saber:

Processo simplificado de inventário de emissões de GEE

Passos essenciais para quantificar e relatar emissões de gases de efeito estufa de forma estruturada

1
Definir limites

Estabelecer o escopo organizacional e operacional do inventário.

2
Identificar fontes

Mapear todas as fontes de emissão de GEE (diretas e indiretas).

3
Coletar dados

Reunir dados de atividade (consumo de combustível, kWh etc.).

4
Selecionar fatores

Escolher fatores de conversão de emissões apropriados e reconhecidos.

5
Calcular emissões

Aplicar fórmulas para converter dados em toneladas de CO₂.

6
Consolidar resultados

Agrupar todas as emissões em CO₂ equivalente (CO₂e).

7
Analisar resultados

Avaliar o desempenho, identificar hotspots e tendências.

8
Relatar e verificar

Publicar o relatório e, se necessário, submeter à verificação independente.

Exemplo ilustrativo de processo padrão. Os detalhes podem variar dependendo do protocolo ou norma.

A qualidade do inventário depende, portanto, não apenas da fórmula utilizada, mas também da qualidade dos dados coletados.

Além disso, quanto melhor estruturado for o processo de coleta, maior tende a ser a consistência da série histórica e a capacidade da empresa de identificar oportunidades de redução.

Outro ponto importante é a definição dos limites organizacionais. O GHG Protocol permite diferentes abordagens para consolidar as emissões, considerando aspectos como controle operacional, controle financeiro e participação societária.

Consequentemente, antes de calcular qualquer emissão, é necessário entender quais operações fazem parte do inventário.

O que são Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3?

Além disso, uma das características mais conhecidas do GHG Protocol é a classificação das emissões em três escopos. Por isso, essa divisão ajuda a organizar as diferentes fontes de emissão e entender sua relação com as atividades da empresa.

Escopo 1: emissões diretas

Primeiro, o Escopo 1 reúne as emissões diretas provenientes de fontes que pertencem ou são controladas pela organização, como a combustão de combustíveis em veículos próprios, caldeiras e fornos, as emissões de processos industriais e as emissões fugitivas de equipamentos, entre outras fontes diretamente controladas pela empresa.

Em resumo, são emissões associadas a fontes sob propriedade ou controle da organização inventariante.

Escopo 2: emissões indiretas de energia

Já o Escopo 2 corresponde às emissões indiretas associadas à geração da eletricidade ou energia térmica adquirida e consumida pela organização.

Por exemplo, uma empresa pode não gerar diretamente as emissões decorrentes da produção da eletricidade que consome. Ainda assim, essas emissões são consideradas em seu inventário de Escopo 2.

Além disso, no Programa Brasileiro GHG Protocol, o relato de Escopo 2 pode considerar duas abordagens: localização e escolha de compra.

Primeiro, a abordagem baseada em localização utiliza fatores relacionados à média de geração de eletricidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), enquanto a abordagem baseada em escolha de compra considera informações específicas sobre a origem da eletricidade adquirida, quando atendidos os critérios de qualidade exigidos pelo programa.

Porém, as duas abordagens não devem ser somadas, pois representam formas diferentes de contabilizar e reportar as emissões de Escopo 2.

Escopo 3: emissões da cadeia de valor

Por fim, o Escopo 3 reúne outras emissões indiretas que acontecem na cadeia de valor da organização, tanto a montante quanto a jusante. É uma categoria ampla e complexa, pois pode incluir os diversos exemplos apresentados no infográfico abaixo:

Categorias de emissões na cadeia de valor (Escopo 3)

Principais fontes de emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE)

Bens e serviços adquiridos

Emissões da produção e transporte de matérias-primas, componentes e serviços comprados.

Transporte e distribuição

Emissões pelo transporte de produtos a montante e a jusante (vendas) por veículos de terceiros.

Resíduos gerados nas operações

Emissões associadas ao tratamento e disposição final de resíduos gerados pela empresa.

Viagens a negócios

Emissões de viagens aéreas, terrestres ou hotéis de funcionários para fins de negócios.

Deslocamento de funcionários

Emissões do trajeto diário dos funcionários de casa para o trabalho e vice-versa.

Uso e fim de vida de produtos vendidos

Emissões pelo uso e tratamento final (reciclagem, aterro) dos produtos vendidos.

Investimentos

Emissões atribuíveis a investimentos financeiros, incluindo participações acionárias.

Outras atividades da cadeia de valor

Emissões de fontes não cobertas nas outras categorias, como ativos arrendados a jusante ou franquias.

Como já apresentamos em um artigo exclusivo, o Escopo 3 costuma ser um dos maiores desafios de um inventário porque depende de informações que podem estar fora do controle direto da organização. Ainda assim, ele pode revelar fontes relevantes de emissões e oportunidades de redução que não aparecem nos Escopos 1 e 2.

Escopo 3 no Programa Brasileiro GHG Protocol

No Programa Brasileiro GHG Protocol, o relato de Escopo 3 é opcional para a qualificação do inventário. Dessa forma, um inventário pode ser considerado completo quando contempla integralmente as fontes aplicáveis de Escopo 1 e Escopo 2.

Isso não significa, porém, que o Escopo 3 seja pouco importante. Pelo contrário, afinal, para empresas com cadeias de fornecimento extensas, operações logísticas relevantes ou produtos com emissões significativas ao longo do ciclo de vida, conhecer essas emissões pode ser essencial para uma estratégia efetiva de descarbonização.

O que é o Programa Brasileiro GHG Protocol?

O Programa Brasileiro GHG Protocol foi criado em 2008 para adaptar o método GHG Protocol ao contexto brasileiro e desenvolver ferramentas de cálculo para estimar emissões de gases de efeito estufa.

Além disso, o programa é desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), em parceria com o WRI e outras organizações.

Além disso, entre suas principais iniciativas está o Registro Público de Emissões (RPE), plataforma que reúne e divulga inventários corporativos de organizações participantes do Programa Brasileiro GHG Protocol. A iniciativa também oferece ferramentas, diretrizes, notas técnicas, capacitações e orientações para elaboração e publicação de inventários.

Além disso, o programa estabelece ainda uma política de qualificação dos inventários publicados. De uma forma geral:

  • Selo Bronze: inventário parcial, sem contabilização de todas as fontes aplicáveis de Escopo 1 e Escopo 2;
  • Selo Prata: inventário completo, contemplando todas as fontes aplicáveis de Escopo 1 e Escopo 2;
  • Selo Ouro: inventário completo e verificado por organismo de verificação acreditado pelo Inmetro.

Portanto, participar do Programa Brasileiro GHG Protocol não significa simplesmente calcular emissões, mas seguir uma metodologia, organizar os dados, publicar o inventário e, conforme o caso, submetê-lo à verificação independente.

GHG Protocol Brasil: qual é a dimensão do programa?

Por isso, a evolução do Programa Brasileiro mostra como a mensuração de emissões ganhou espaço na agenda empresarial brasileira.

No Ciclo 2026, foram 757 organizações participantes e 1.447 inventários publicados, referentes às emissões do ano-base 2025. Por outro lado, em relação ao ciclo anterior, houve crescimento de 12% no número de organizações e de 10% na quantidade de inventários.

Assim, esse crescimento é relevante porque amplia a quantidade de dados disponíveis sobre emissões corporativas no país. Além disso, os inventários publicados permitem observar padrões por setor, fonte emissora e tipo de atividade.

Portanto, o Registro Público de Emissões deixou de ser apenas um espaço para divulgação de inventários. Dessa forma, ele também se tornou uma importante fonte de informação sobre a evolução da contabilização de GEE no Brasil.

GHG Protocol, inventário e descarbonização

O GHG Protocol fornece a metodologia. Já o inventário organiza os dados. A gestão de emissões transforma esses dados em decisões. Essa diferença é importante.

Contudo, elaborar um inventário não significa, por si só, reduzir emissões. Em contrapartida, o inventário mostra onde estão as emissões e cria uma base para estabelecer prioridades. A partir dos resultados, a organização pode identificar as fontes mais relevantes, avaliar alternativas, definir metas e acompanhar indicadores, o que é a base de qualquer estratégia de descarbonização.

Por exemplo, uma empresa pode descobrir que suas principais emissões estão relacionadas ao consumo de combustíveis. Já outra pode encontrar uma parcela significativa na logística ou na aquisição de produtos e serviços. Assim, cada diagnóstico conduz a uma estratégia diferente.

Por isso, a gestão de emissões deve ser entendida como um processo contínuo, exemplificado a seguir:

Ciclo de gestão de melhoria contínua

Melhoria contínua
1Medir
2Analisar
3Definir prioridades
4Reduzir
5Acompanhar
6Melhorar

↺ Processo contínuo: cada ciclo parte dos resultados do anterior

Por fim, essa lógica também ganha importância diante da evolução da agenda climática brasileira. A criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, amplia a relevância de processos de monitoramento, relato e verificação para as atividades abrangidas pelo mercado regulado.

Nesse cenário, empresas que já possuem dados organizados, metodologias definidas e histórico de emissões tendem a estar melhor preparadas para novas demandas de informação climática. Portanto, o inventário de GEE não deve ser tratado como um documento produzido uma vez por ano e arquivado. Na verdade, ele pode ser uma poderosa ferramenta de gestão.

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Como uma expert pode apoiar sua empresa?

Portanto, para transformar um inventário em ferramenta de gestão, é preciso ir além do cálculo.

A Eccaplan atua na gestão de emissões de gases de efeito estufa, apoiando empresas na estruturação, elaboração e acompanhamento de inventários de GEE. Assim, o trabalho pode envolver a definição do escopo do inventário, coleta e organização de dados, identificação das fontes emissoras, cálculo das emissões e análise dos resultados.

Além disso, a gestão contínua permite acompanhar a evolução das emissões e identificar oportunidades para redução. Entre as soluções da Eccaplan estão o inventário de emissões de GEE e o Sistema de Gestão de Emissões de GEE, que permitem às empresas conhecer suas principais fontes emissoras, acompanhar seus indicadores e identificar oportunidades de redução.

Monitoramento, cálculos e perspectivas

Ademais, a Eccaplan também desenvolve sistemas de monitoramento, calcula pegadas de carbono e apoia estratégias de descarbonização, além de mensurar emissões associadas a eventos, viagens e logística.

Vale dizer que a tecnologia também se mostra uma importante aliada em todo esse processo. Através de dados organizados sistematicamente e indicadores acompanhados de forma contínua, a empresa consegue transformar informações dispersas em uma visão estruturada de suas emissões.

Por fim, o objetivo é simples e direto: fazer com que o inventário deixe de ser apenas um relatório e passe a apoiar decisões que se transformem em vantagens competitivas e alinhamento a regulamentações nacionais e internacionais.

Sua empresa já sabe quanto emite?

Por isso, o primeiro passo para reduzir emissões é conhecer as fontes e dimensionar seus impactos.

Assim, a Eccaplan ajuda sua empresa a estruturar o inventário de emissões de GEE, identificar as principais fontes emissoras e transformar esses dados em estratégias de gestão e redução. Quer começar? Entre em contato com o nosso time e descubra como podemos ajudar sua empresa a avançar na gestão de emissões.

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Perguntas frequentes sobre o GHG Protocol

O que é o GHG Protocol?

O GHG Protocol é a metodologia mais utilizada no mundo para contabilizar e relatar emissões de gases de efeito estufa. Além disso, ele organiza as emissões em três escopos, o que facilita a comparação entre empresas.

Quais são os escopos do GHG Protocol?

Os escopos são três. O Escopo 1 reúne as emissões diretas, o Escopo 2 as emissões indiretas de energia comprada e o Escopo 3 as demais emissões indiretas da cadeia de valor.

O Escopo 3 é obrigatório no GHG Protocol?

Não, pois no Programa Brasileiro GHG Protocol o relato do Escopo 3 é opcional para a qualificação do inventário. No entanto, ele costuma ser decisivo para uma estratégia de descarbonização efetiva.

Como fazer um inventário de emissões?

Primeiro, a empresa define seus limites organizacionais e operacionais. Em seguida, coleta os dados de atividade, aplica os fatores de emissão e, por fim, consolida e verifica os resultados.

Referências

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