Metas climáticas e SBTi: a rota corporativa para a sustentabilidade

Descubra como sua empresa pode transformar a SBTi em uma estratégia integrada de redução e neutralização de emissões, da meta à governança
matriz de materialidade

Diante da intensificação da crise climática, diversas perguntas emergem no mundo corporativo.

A primeira e mais evidente é: como transformar compromissos ambientais em ações concretas, mensuráveis e confiáveis? 

A resposta, cada vez mais clara, está na ciência. 

Uma referência mundial

Nesse contexto, a Science Based Targets initiative (SBTi) se consolida como um referencial global para empresas que desejam alinhar suas estratégias climáticas a um futuro viável.

Mais do que uma sigla, a SBTi funciona como uma ponte entre a ciência climática e a tomada de decisão corporativa. 

Em síntese, a iniciativa traduz metas globais em planos de ação robustos, capazes de orientar companhias a uma economia de baixo carbono.

Compreender e aplicar: a melhor estratégia

Ainda assim, os mecanismos pelos quais essa iniciativa se converte em vantagem competitiva, mitigação de riscos e geração de valor de longo prazo seguem pouco claros para muitas lideranças. 

É exatamente aí que a análise se torna decisiva: compreender esses processos é o que separa medidas sustentáveis robustas de compromissos que não se sustentam no tempo.

Compensação de carbono com compra de créditos do mercado de carbono do Brasil

O que é a SBTi e por que é tão importante?

Trata-se de um mecanismo criado a partir de uma coalizão internacional de peso, reunindo CDP, Pacto Global da ONU, World Resources Institute (WRI), World Wide Fund for Nature (WWF) e a We Mean Business Coalition

Acima de tudo, a SBTi tem como objetivo fornecer um framework estruturado para metas corporativas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Além disso, suas diretrizes estão diretamente alinhadas ao Acordo de Paris, exigindo que as empresas contribuam de forma efetiva para limitar o aquecimento global a 1,5°C e avancem rumo ao net zero até, no máximo, 2050.

Mais do que cumprir com regras e agradar stakeholders

Nesse sentido, aderir à SBTi não é apenas um gesto reputacional. Consiste em assumir responsabilidade climática com base em evidências científicas.

Em um mercado cada vez mais exigente, a validação pela SBTi funciona como um selo de credibilidade. Ela diferencia empresas com compromissos reais daquelas que adotam estratégias superficiais.

Além disso, metas baseadas na ciência fortalecem a competitividade, atraem investidores, reduzem riscos regulatórios e ampliam a resiliência operacional. 

Para o Brasil, esse movimento também contribui para modernizar a economia e reposicionar o país como líder em sustentabilidade, como veremos mais adiante.

Uma meta cientificamente fundamentada

Uma meta é considerada baseada na ciência quando está alinhada às mais recentes descobertas da climatologia e à trajetória necessária para conter o aquecimento global.

 Na prática, isso significa priorizar reduções reais e profundas de emissões ao longo de toda a cadeia de valor.

Portanto, metas validadas pela SBTi devem abranger:

  • Escopo 1: emissões diretas das operações
  • Escopo 2: consumo de energia
  • Escopo 3: emissões indiretas da cadeia de valor, frequentemente as mais relevantes

Ao seguir esse modelo, as empresas deixam de atuar apenas na mitigação de riscos e passam a integrar um esforço coletivo global por uma transição energética justa e consistente.

Para tanto, é preciso considerar os aspectos centrais e o arcabouço que compõem esse instrumento de validação de operações, métodos e procedimentos.

A SBTi na prática: pilares e processo

A atuação da SBTi se estrutura em quatro pilares centrais. 

Em primeiro lugar, o desenvolvimento contínuo de metodologias e ferramentas científicas. Em seguida, o suporte técnico às empresas. Segue-se a validação independente das metas propostas. Por fim, a transparência na divulgação de dados e resultados.

O processo de adesão segue um caminho claro:

  1. Compromisso público com a iniciativa
  2. Desenvolvimento das metas em até 24 meses
  3. Validação técnica pela equipe da SBTi
  4. Comunicação e reporte anual dos avanços

Esse rigor é justamente o que diferencia a SBTi em um cenário marcado pelo aumento do greenwashing e do carbonwashing.

Fundamentos e eixos centrais

Acima de tudo, torna-se evidente que a SBTi consolida sua orientação em princípios claros. Entre eles, alguns se mostram fundamentais:

  • abrangência total das emissões,
  • transparência, 
  • priorização da redução, 
  • metas intermediárias, 
  • neutralização de emissões residuais 
  • salvaguardas socioambientais rigorosas

Em síntese, trata-se de uma hierarquia de mitigação baseada em ciência, integridade e responsabilidade.

Um framework em constante evolução

A SBTi se atualiza constantemente para atender às novas demandas do cenário climático.

Em 2025, por exemplo, divulgou a aguardada versão preliminar de sua Norma Corporativa de Emissões Líquidas Zero (CNZS v2.0). A nova norma traz avanços significativos.

Agora, a SBTi avaliará o progresso real das empresas, não apenas a ambição inicial das metas. Mais ainda, busca melhorar a abrangência do escopo de emissões e a contabilização do uso de energia renovável.

Anteriormente, métodos baseados no mercado para o Escopo 2 permitiam que emissões parecessem menores do que eram, com a compra de certificados (RECs).

A nova proposta exige uma meta baseada na localização (emissões reais da rede) e uma meta de mercado ou de emissão zero.

Finalmente, a versão mantém o rigor ao limitar o escopo e o papel dos créditos de carbono, evitando a diluição das metas climáticas corporativas.

Porém, apesar da solidez conceitual que sustenta a SBTi, como vemos, as funções e dimensões de algumas medidas ainda geram debate.

Selo Carbono Neutro

Compensação e neutralização: papéis distintos

Um ponto frequentemente mal interpretado diz respeito ao papel da compensação e da neutralização de emissões. A SBTi estabelece uma distinção clara entre os dois conceitos.

De modo geral, a compensação refere-se a ações que evitam ou reduzem emissões fora da cadeia de valor da empresa, como projetos de energia renovável. 

Por sua vez, a neutralização, também chamada de remoção, envolve a retirada carbono da atmosfera, por meio de soluções naturais ou tecnológicas.

Entretanto, a iniciativa é enfática: nenhuma dessas estratégias é capaz de substituir a redução direta das emissões. 

Em outras palavras, elas devem atuar como complemento, especialmente durante a transição e para lidar com emissões residuais inevitáveis.

O ponto crítico da estratégia climática corporativa

Nesse contexto, à medida que as empresas avançam na definição de metas baseadas na ciência e na implementação de planos de redução, algumas dúvidas se tornam recorrentes.

Entre elas, a pergunta-chave: qual é o papel de instrumentos como compensação e neutralização de emissões?

Afinal, embora amplamente utilizados no discurso corporativo, esses mecanismos ainda geram confusão e interpretações equivocadas. 

Por isso, compreender suas diferenças, limites e funções estratégicas é fundamental para garantir coerência, credibilidade e alinhamento real com as diretrizes da SBTi.

É isso que muitas empresas brasileiras buscam atualmente.

Soluções baseadas na natureza: oportunidade estratégica para o Brasil

O Brasil ocupa uma posição singular na agenda climática global. Com biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal, o país é, ao mesmo tempo, potência ambiental e área crítica de risco.

Segundo o IPCC, cerca de 13% das emissões globais estão associadas ao desmatamento e às mudanças no uso do solo.

Por isso, as Soluções Climáticas Baseadas na Natureza (SCBN) assumem um papel estratégico para empresas brasileiras alinhadas à SBTi.

Elas podem atuar em três frentes complementares: eliminação do desmatamento nas cadeias produtivas, compensação de emissões durante a transição e neutralização de emissões residuais por meio da restauração de ecossistemas nativos.

Assim, o setor corporativo passa a exercer um papel ativo na proteção da biodiversidade e na estabilidade climática.

A SBTi nas empresas brasileiras

A adoção da SBTi por empresas brasileiras vem crescendo de forma consistente, especialmente entre organizações que buscam alinhar suas estratégias ao limite de 1,5°C.

Muitas já submeteram metas que abrangem os escopos 1, 2 e 3 à validação da iniciativa.

Entre os principais destaques estão:

  • Compromisso e rigor: após a adesão, as empresas têm até 24 meses para validar suas metas,
  • Setores engajados: bens de consumo, finanças, cimento e serviços lideram o movimento,
  • Credibilidade: empresas que não cumprem prazos são removidas, reforçando a seriedade do processo,
  • Benefícios estratégicos: maior competitividade, atração de capital e atendimento às exigências de relatórios ESG,

Assim, empresas relevantes com metas validadas se tornam exemplos de como o alinhamento à SBTi já se traduz em vantagem estratégica no mercado nacional.

Ciência, estratégia e ação em parceria

Como vimos, a SBTi é mais do que um mero protocolo técnico.

Ela funciona como uma bússola para empresas que desejam não apenas se adaptar às transformações do século XXI, mas liderá-las de forma responsável.

É justamente nesse estágio que as exigências da SBTi deixam de ser conceituais e passam a demandar arquitetura técnica, governança e capacidade de execução.

Parceiros com expertise para uma maior robustez

Organizações especializadas, como a Eccaplan, atuam ao longo de toda essa cadeia de requisitos, apoiando empresas na elaboração de inventários de emissões de GEE conforme o GHG Protocol, na qualificação e priorização das emissões dos escopos 1, 2 e 3 e na estruturação de metas de curto, médio e longo prazo.

Além disso, a SBTi exige que as metas estejam integradas à governança corporativa e acompanhadas por planos claros de implementação e monitoramento.

Nesse sentido, soluções voltadas à gestão de dados referentes à emissão de GEE, mitigação do impacto ambiental, definição de alavancas de redução e reporte contínuo de progresso, entre outras, tornam-se centrais.

É nesse ponto que a atuação da Eccaplan contribui para transformar critérios técnicos da SBTi em decisões executáveis, incorporadas aos processos de gestão e prestação de contas.

Quando se trata das emissões residuais, a própria SBTi estabelece limites claros: compensação não substitui redução, e a neutralização deve ocorrer por meio de remoções de carbono de alta integridade.

Investir em compensação de emissões e projetos sustentáveis certificados

A Carbonfair, plataforma da Eccaplan, se insere exatamente nesse requisito ao conectar empresas a projetos rastreáveis, com adicionalidade, permanência e salvaguardas socioambientais, permitindo que a neutralização ocorra de forma coerente com os princípios da iniciativa.

Assim, redução de emissões, metas científicas validadas, governança climática e neutralização responsável deixam de ser frentes desconectadas e passam a compor uma estratégia climática integrada.

Ao atender aos critérios da SBTi com rigor técnico e visão estratégica, o setor corporativo brasileiro fortalece sua credibilidade, reduz riscos regulatórios e se posiciona de forma competitiva na transição para uma economia de baixo carbono.

Pronto para transformar compromisso em ação? Fale com um dos nossos especialistas e avalie seu caminho para a SBTi.

Projetos Sustentáveis Certificados da Carbonfair, plataforma da Eccaplan

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