De forma preocupante, o ano de 2026 começou com duas notícias que revelam o quanto o mundo ainda está profundamente atrelado aos combustíveis fósseis, em especial ao petróleo.
O mundo volta buscar o “ouro negro”?
Em primeiro lugar, a polêmica ação dos Estados Unidos na Venezuela, que supostamente teria motivações econômicas — mais especificamente, ligadas às vastas reservas petrolíferas do país sul-americano.
A princípio, a Casa Branca tenha afirmado que seu principal objetivo seria a instauração de uma democracia no Estado governado por Nicolás Maduro.
No entanto, o presidente Donald Trump mencionou o petróleo venezuelano diversas vezes em coletivas de imprensa, colocando em xeque as reais intenções por trás da retórica em defesa de uma agenda democrática.
Consequentemente, analistas internacionais voltaram a afirmar que o petróleo teria “retornado” ao centro das relações de poder.
Contudo, como sabemos, ele jamais deixou completamente o cenário econômico mundial, apesar dos inúmeros esforços em direção à transição energética.
O Brasil corre por petróleo
A segunda notícia refere-se a um episódio ocorrido no Brasil, logo no início deste ano.
A primeira tentativa de exploração de petróleo na foz do Amazonas precisou ser interrompida pela Petrobras após a identificação de perda de fluido, levantando um alerta imediato.
Segundo o Ibama, houve um problema de despressurização que provocou o vazamento de um líquido conhecido como fluido hidráulico, de caráter biodegradável.
De acordo com o órgão ambiental, portanto, o incidente não configuraria uma ameaça ambiental significativa.
Ainda assim, algumas perguntas essenciais emergem diante desses fatos.
Dúvidas cruciais sobre o futuro da transição energética
A primeira é: por que ainda dependemos tanto do petróleo, a ponto de colocar em risco um meio ambiente já profundamente degradado?
A segunda decorre diretamente da primeira: se empresas e governos afirmam trabalhar pela transição energética — e avanços são, de fato, visíveis nesse campo —, de onde vem a persistente necessidade de explorar e extrair esse combustível fóssil?
Por fim, esse novo impulso em direção ao antigo “ouro negro” poderá provocar um retrocesso nos processos de transição energética?
Neste artigo, buscaremos responder a essas e a outras questões correlatas. Todas essas pautas dialogam diretamente com o futuro da sustentabilidade e com a urgência de incentivar fontes limpas de energia.

O atual cenário energético no Brasil e no mundo
Hoje, vivemos um cenário marcado por tensões e contradições.
Por um lado, o Oil Market Report, publicado em dezembro de 2025 pela Agência Internacional de Energia, indica que a produção mundial de petróleo continuará a crescer em 2026.
Tudo isso apesar das interrupções temporárias e instabilidades políticas globais.
Esse avanço é impulsionado por setores como transporte e logística, indústria farmacêutica e automotiva.
Ademais, o petróleo é a matéria-prima para a produção de plásticos, roupas, embalagens e diversos outros produtos do nosso cotidiano.
Dependência mundial tende a cair com o tempo
Por outra parte segundo o mesmo relatório, o recente aumento da demanda por líquidos de gás natural (LGN) nos Estados Unidos foi amplamente compensado pela persistente desaceleração na Europa e pela aceleração da substituição do petróleo na geração de energia no Oriente Médio.
Nesse sentido, de acordo com dados da Petrobras, a capacidade mundial de geração de energia renovável vem se expandindo rapidamente.
Esse novo quadro é visível sobretudo nos 20 países com as maiores economias do mundo (G20), que concentram quase 90% da capacidade global instalada.
Por conseguinte, essas potências econômicas também carregam a responsabilidade de pensar em estratégias capazes de impulsionar a transição energética em países que ainda não priorizam fontes renováveis.
O panorama energético brasileiro nos dias de hoje
No caso do Brasil, o país se destaca como um dos protagonistas da transição energética global.
A estimativa é que a geração mundial de energia renovável cresça 165 GW até 2028, sendo que o Brasil deverá responder por mais de 65% desse total.
Para efeito de comparação, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a capacidade total instalada de energia no país em 2023 era de 196,6 GW.
O mesmo movimento se observa na expansão global dos biocombustíveis, que tende a ocorrer de forma significativamente mais acelerada do que nos últimos cinco anos.
As projeções indicam que nosso país será responsável por cerca de 40% da expansão global desse setor nos próximos anos.

Então, o que falta para deixarmos os combustíveis fósseis no passado?
Nessa conjuntura, aparentemente contraditória, esconde-se uma palavra-chave: transição.
De modo geral, todo processo de mudança não ocorre da noite para o dia, sobretudo quando se trata de uma economia mundial que se estruturou sobre os combustíveis fósseis desde as primeiras etapas da Revolução Industrial, no século XIX.
Em particular, o petróleo funcionou — e ainda funciona — como uma mediação central, conectando infraestruturas, cadeias produtivas e relações de poder.
Não obstante, aquilo que sustenta hoje o mundo material como o conhecemos já não pode se limitar a esse único recurso.
Existem diversas alternativas capazes de viabilizar uma nova configuração econômica para o planeta contemporâneo.
Mesmo assim, alguns pontos precisam ser revistos, e esse esforço não está apenas nas mãos dos governos, mas de toda a sociedade em escala global.
É necessário acelerar ainda mais o processo de abandono do petróleo e de outros combustíveis fósseis.
Ações hoje, resultados amanhã
Para tanto, é fundamental considerar alguns eixos estratégicos:
- Investimento em tecnologia e inovação: desenvolvimento de soluções para o armazenamento de energia renovável; substituição de processos industriais e veículos por eletricidade proveniente de fontes limpas; digitalização de operações; e redução das emissões de CO₂ na extração de petróleo e gás durante o período de transição;
- Educação e conscientização: engajamento da sociedade na adoção de hábitos que reduzam o uso de produtos derivados do petróleo; fortalecimento da educação ambiental e da compreensão dos riscos associados à falta de controle da crise climática e ambiental.
- Novo modelo econômico: redirecionamento de subsídios atualmente destinados aos combustíveis fósseis para fontes renováveis; oferta de incentivos fiscais; diversificação das cadeias globais de suprimento de materiais essenciais às energias limpas;
- Prioridade à eficiência energética: redução do desperdício e do consumo excessivo; ampliação do acesso a materiais produzidos de forma sustentável para turbinas, veículos e outras infraestruturas energéticas.
Diante da tensão entre a possível intensificação da exploração de petróleo e o avanço consistente das energias limpas, alguns temas devem ser repensados.
Entre eles, qual deve ser a estratégia adotada por empresas e instituições financeiras nesse cenário de transição?
É sobre esse ponto que nos debruçaremos a seguir.
Caminhos para a descarbonização e a transição energética nas empresas
A descarbonização corporativa refere-se ao conjunto de ações adotadas pelas empresas para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Nesse sentido, a transição energética se apresenta como um dos pilares centrais dessa estratégia, ao promover a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes renováveis. Nessa lista se incluem as energias solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde.
O Brasil, em particular, destaca-se por seu expressivo potencial em biocombustíveis e geração hidrelétrica, o que favorece uma transformação estrutural na matriz energética.
Trata-se de um movimento que vai além da adequação ambiental.
Sem dúvida, é uma conexão dos compromissos ESG às metas climáticas globais e à competitividade econômica, já que privilegia eficiência energética, inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Elencamos, a seguir, algumas medidas que podem ser adotadas por empresas alinhadas às práticas sustentáveis hoje exigidas por stakeholders, bem como por regulamentações nacionais e internacionais.
Estratégias para aceleração de processos sustentáveis
O processo de descarbonização e de transição energética de um negócio pode ser organizado a partir das seguintes etapas:
1. Avaliação inicial
Levantamento do cenário atual da empresa, com identificação de riscos, oportunidades e do grau de maturidade em sustentabilidade.
2. Planejamento estratégico
Estabelecimento de objetivos, metas e indicadores em consonância com a estratégia corporativa, os princípios ESG e os compromissos climáticos globais.
3. Adoção de tecnologias
Implementação de soluções e inovações voltadas à eficiência energética, à redução de emissões e ao uso de fontes renováveis.
4. Acompanhamento contínuo
Monitoramento sistemático dos resultados, mensuração dos impactos e realização de ajustes para assegurar o avanço das metas definidas.
5. Mobilização de stakeholders
Engajamento de colaboradores, fornecedores, parceiros e investidores na agenda de sustentabilidade, fortalecendo a governança e a transparência.
Para tornar essas etapas operacionais, alguns procedimentos são essenciais:
- Elaboração do inventário de carbono, com base em metodologias reconhecidas;
- Avaliação aprofundada do inventário de gases de efeito estufa (GEE);
- Identificação dos principais vetores de emissão ao longo das operações;
- Desenvolvimento de um plano de ação, com soluções de descarbonização alinhadas às metas do negócio e aos compromissos de Net Zero.
Para avançar nesse percurso, é fundamental contar com parceiros especializados, capazes de apoiar as organizações em cada uma das etapas descritas acima.
Da mesma forma, a atualização contínua da capacitação dos colaboradores é decisiva para uma maior agilidade, consistência nos resultados e evolução sustentável.
Eccaplan: apoio especializado para uma descarbonização e transição energética mais ágeis
Para que a transição energética se torne um caminho viável no âmbito corporativo, é fundamental contar com soluções que conectem estratégia, tecnologia e impacto mensurável.
A Eccaplan atua apoiando empresas na construção de jornadas estruturadas de sustentabilidade, descarbonização e redução de emissões.
As soluções integradas da Eccaplan vão desde o diagnóstico de perfil sustentável ao inventário de gases de efeito estufa. Aliás, seu foco também está no desenvolvimento de planos de ação alinhados às exigências regulatórias e de mercado.
Assim, um dos nossos eixos consiste em apoiar organizações na eficiência operacional e na compensação de emissões, inclusive por uso de combustíveis fósseis.
Nesse aspecto, a transição energética deixa de ser um conceito e passa a se materializar em práticas concretas, fortalecendo a competitividade e gerando valor de longo prazo.
Esse ecossistema de soluções se amplia com a Carbonfair, a plataforma da Eccaplan voltada à conexão entre empresas e projetos sustentáveis certificados para a compra de créditos de carbono.
Por meio da Carbonfair, é possível apoiar iniciativas que promovem preservação e recuperação ambiental, energias renováveis e desenvolvimento socioambiental, ao mesmo tempo em que se avança na neutralização de emissões residuais de forma transparente e rastreável.
Ao integrar descarbonização e mecanismos de compensação de emissões, a Eccaplan e a Carbonfair oferecem às empresas caminhos concretos para acelerar a redução do impacto ambiental e contribuir para um modelo econômico menos dependente do petróleo e mais alinhado a fontes limpas de energia.
Trata-se de um passo decisivo para transformar compromissos climáticos em ações efetivas, e para construir, no presente, as bases de um futuro mais sustentável.
O futuro da energia já está em construção. Faça parte dessa transformação com a Eccaplan e a Carbonfair. Fale com o nosso time!

