O antigo Carbon Disclosure Project, atual CDP, consolidou-se nos últimos anos como uma das principais plataformas globais de reporte ambiental. Responder ao seu questionário anual deixou de ser uma mera iniciativa de vanguarda.
Tornou-se, antes, uma forma estruturada de comunicar desempenho climático com transparência e credibilidade aos stakeholders.
Por isso, deve integrar a estratégia corporativa de gestão de riscos e oportunidades climáticas.
Maior confiabilidade e compromisso institucional
Como se sabe, empresas que divulgam seus dados ambientais com consistência (especialmente a “pegada de carbono“) fortalecem a confiança de investidores, clientes e parceiros.
Além disso, antecipam-se a regulações cada vez mais rigorosas. E, ao mesmo tempo, alinham-se às demandas de cadeias de valor mais exigentes e orientadas por critérios de sustentabilidade, regeneração e políticas “verdes”.
Neste artigo, exploramos como funciona o CDP.
Em seguida, apresentamos os principais elementos de um reporte sólido. Analisamos também como estruturar esse processo de forma eficiente e alinhada às melhores práticas de mercado em 2026.
Por fim, examinamos como essa agenda se posiciona no contexto da sustentabilidade corporativa no Brasil, tanto no presente quanto nos próximos anos.
CDP: transparência e divulgação de impactos ambientais
O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos fundada em 2000 que opera o maior sistema global de divulgação de dados ambientais para empresas, cidades, estados e regiões.
Nesse sentido, sua missão é transformar informações ambientais em insights estratégicos que orientem decisões de negócios, políticas públicas e investimentos sustentáveis.
CDP: estrutura e princípios
Hoje, o CDP consolidou-se como referência central em transparência climática, reunindo a maior base de dados ambientais autodeclarados do mundo.
Em 2025, mais de 22 mil empresas divulgaram informações sobre mudanças climáticas, uso da água e florestas por meio da plataforma. Essa cifra representa parcela significativa da capitalização de mercado global e das corporações mais influentes.
Entretanto, a atuação do CDP vai além de um simples repositório de dados.
Sua metodologia estrutura relatórios anuais que permitem comparar desempenho ambiental ao longo do tempo, identificar riscos e oportunidades e estimular melhorias contínuas.
As informações registradas e relatadas são utilizadas por investidores, grandes compradores e formuladores de políticas para orientar decisões de longo prazo.

O CDP para as finanças e a sustentabilidade corporativa
Outro aspecto fundamental: as instituições financeiras também desempenham papel relevante nesse ecossistema.
Centenas de investidores, que somam mais de uma centena de trilhões de dólares em ativos sob gestão, solicitam que empresas respondam ao CDP.
Certamente, esse movimento reforça que a transparência ambiental deixou de ser voluntária em termos estratégicos e passou a integrar critérios centrais de avaliação de risco e alocação de capital.
O CDP reconhece ainda o desempenho de destaque por meio de listas anuais que evidenciam empresas com práticas avançadas de governança e gestão ambiental.
Ao mesmo tempo, a plataforma tem se alinhado a padrões internacionais de divulgação, como as normas do ISSB, entre outras.
Tais fatores ampliam a comparabilidade das informações e fortalecem a tomada de decisão baseada em dados confiáveis e verificáveis.
Histórico do CDP
Para compreender ainda mais o papel atual do CDP, é necessário observar sua trajetória.
A organização foi fundada em 2000, em Londres, com o objetivo de estruturar um sistema global de reporte ambiental.
À época, contava com o apoio de apenas 35 investidores institucionais, interessados em obter dados corporativos sobre emissões de carbono.
Em 2003, foi lançado o primeiro questionário formal. As maiores empresas do mundo passaram, então, a ser convidadas a divulgar suas emissões de gases de efeito estufa.
Nascia ali um novo padrão de transparência climática no mercado internacional.
Ao longo da década seguinte, o escopo foi ampliado.
Em 2010, o CDP incorporou o tema da segurança hídrica, reconhecendo a centralidade da água para a sustentabilidade econômica e social.
Em 2012, a organização adotou oficialmente a sigla CDP, deixando de utilizar o nome completo Carbon Disclosure Project. A mudança refletiu um escopo mais abrangente, que já ultrapassava a agenda exclusiva do carbono.
Em 2014, o desmatamento e o impacto sobre florestas passaram a integrar os questionários, com foco especial em cadeias de suprimento e commodities críticas.
Dessa forma, consolidou-se uma abordagem mais sistêmica da gestão ambiental.
A função e a importância do CDP
A partir das informações acima já podemos ter uma ideia do papel que o CDP desempenha para a sustentabilidade corporativa e institucional.
Porém, vale a pena especificar alguns pontos essenciais, como faremos a seguir.
Se o CDP se consolidou como a principal infraestrutura global de transparência ambiental, esse fato não foi casual e apenas fundamentado nos avanços ao longo do tempo.
Há uma sistematização essencial. Isto é, através de questionários anuais padronizados e especificados em documentos e diretrizes, incluindo o CDP Full Corporate Scoring Methodology, empresas, cidades e estados reportam dados sobre clima, água e florestas.
Por isso, o foco é claro. Em suma, a ideia é transformar impacto ambiental em informação comparável, auditável e estratégica. Isso incluiu um alinhamento com outras regulamentações e normas de reportes de sustentabilidade.
Da teoria à prática: o passo a passo
A plataforma coleta dados sobre consumo de energia, emissões de gases de efeito estufa, governança climática, metas de descarbonização e gestão de riscos.
Essas informações são sistematizadas e disponibilizadas a investidores, grandes compradores e instituições financeiras. Como resultado, cria-se um ambiente de negócios mais transparente, acessível e orientado por dados.
Embora a participação seja formalmente voluntária, o peso de mercado é crescente, conforme os dados que apresentamos nas seções anteriores.
Ademais, centenas de investidores institucionais, responsáveis por dezenas de trilhões de dólares em ativos sob gestão, utilizam essas informações para avaliar risco climático, resiliência e governança.
Nesse contexto, insistimos: responder ao CDP deixou de ser apenas uma ação reputacional.
Em outras palavras, passou a integrar critérios de acesso a capital, elegibilidade em cadeias de fornecimento e posicionamento competitivo.
Simultaneamente, sinaliza maturidade em gestão ambiental e alinhamento às melhores práticas internacionais.
É claro que, para as empresas que ainda não se familiarizaram com as regras do CDP, surge a pergunta-chave: como elaborar um relatório em consonância com o CDP em 2026?
Vejamos a seguir.

O processo de elaboração dos relatórios CDP
Elaborar um reporte para o CDP exige estrutura, consistência e visão estratégica. Trata-se de um processo técnico, baseado em dados robustos e metodologias reconhecidas.
Primeiro, é necessário realizar o inventário completo de emissões de GEE. Isso inclui escopo 1, escopo 2 e, cada vez mais relevante, escopo 3, que abrange emissões indiretas ao longo da cadeia de valor.
Em seguida, a organização deve mapear riscos e oportunidades climáticas. Essa etapa envolve análise de cenários, impactos físicos e de transição, além de estratégias de mitigação e adaptação.
Mais ainda, o questionário pode abranger gestão de recursos hídricos e impactos sobre florestas, dependendo do perfil da empresa. Metas, indicadores de desempenho, políticas internas e estrutura de governança também são avaliados.
Portanto, para atender aos padrões do CDP, é fundamental planejamento antecipado, integração entre áreas e domínio das métricas ambientais.
Nesse contexto, o processo pode ser desafiador, sobretudo para organizações em estágio inicial de maturidade climática.
Ainda assim, quando bem estruturado, o reporte se torna uma ferramenta poderosa de gestão.
Quais são as áreas de foco do CDP?
No site do CDP, a organização lista quatro questões de sustentabilidade e ambientais como suas principais áreas de foco para a coleta de dados.
Mudança climática
O CDP solicita que as maiores empresas do mundo forneçam informações sobre riscos climáticos e oportunidades para adotar medidas de baixo carbono por meio do questionário de mudança climática do CDP.
Os dados do CDP coletados por meio do questionário incluem emissões de Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3, conforme definido pelo Protocolo de Gases de Efeito Estufa (GEE), bem como informações sobre governança, estratégia de negócios, uso de créditos de carbono, preços internos de carbono, o valor monetário que as empresas atribuem às emissões de GEE e mais.
Água
O CDP solicita que as empresas meçam os impactos hídricos e os esforços para melhorar a segurança hídrica.
A organização também ajuda as empresas a identificar parcerias que possam ajudar com esses esforços.
Segundo o CDP, pelo menos USD 77 bilhões estavam sob ameaça de risco hídrico nas cadeias de suprimento em 2023.
Florestas
O CDP considera o desmatamento um dos desafios ambientais mais significativos do mundo, afetando a regulação climática, os recursos hídricos e a biodiversidade.
Através de seu framework, o CDP acompanha a prevenção do desmatamento na produção agrícola.
A organização também está expandindo seu escopo para acompanhar a prevenção da destruição de outros ecossistemas naturais.
Plásticos
O CDP promove a divulgação de atividades relacionadas ao plástico.
Isso fornece uma base para que as empresas criem estratégias para reduzir o uso de plástico e a poluição por plástico.
Essas divulgações e estratégias resultantes também podem ajudar as empresas a se anteciparem a regulamentações locais e globais em evolução que governam o uso de plástico.
Em síntese, para que o relatório esteja plenamente alinhado aos padrões do CDP, é indispensável planejamento estruturado e domínio das normas e métricas ambientais aplicáveis.
Por isso, o processo pode se tornar desafiador, sobretudo para empresas que estão no início de sua jornada em sustentabilidade.
No contexto brasileiro, essa complexidade assume contornos próprios, seja pelas especificidades regulatórias, seja pelas particularidades das cadeias produtivas nacionais.
O CDP no Brasil
Certamente, o Brasil ocupa posição estratégica dentro do sistema do CDP.
Como uma das maiores economias emergentes e detentor de ativos ambientais decisivos para o equilíbrio climático global, o país tem ampliado sua presença tanto no reporte corporativo quanto na agenda subnacional.
Nos últimos ciclos, diversas cidades brasileiras alcançaram a nota máxima “A” em políticas climáticas, reconhecimento que evidencia avanços em planejamento urbano resiliente, metas de redução de emissões e transparência na governança ambiental.
Desse modo, esses resultados dialogam com compromissos internacionais assumidos em fóruns multilaterais e reforçam o protagonismo das grandes capitais na implementação local da agenda climática.
Além do eixo urbano, o setor empresarial brasileiro também vem ampliando sua participação.
Diversificação setorial e maturidade institucional
Companhias dos segmentos de energia, agronegócio, finanças, papel e celulose e mineração figuram com frequência nas listas de melhor desempenho, especialmente em temas como gestão de emissões, rastreabilidade de cadeias produtivas e combate ao desmatamento.
Para 2026 e além, o cenário aponta para maior integração entre o CDP e as exigências regulatórias nacionais e internacionais.
De maneira geral, a consolidação de normas globais de reporte climático, como as diretrizes do ISSB, tende a elevar o nível técnico das divulgações.
Paralelamente, o avanço de políticas públicas voltadas à transição energética e à bioeconomia deve pressionar empresas a adotarem métricas mais robustas e metas verificáveis.
O Brasil reúne desafios e oportunidades
De um lado, a complexidade de cadeias produtivas intensivas em recursos naturais exige governança sofisticada.
De outro, a capacidade de liderar agendas como florestas, agricultura regenerativa e energia renovável posiciona o país como ator-chave na próxima etapa da transparência climática global.
Assim, o CDP no Brasil também deixa de ser apenas um instrumento de reporte.
Torna-se, progressivamente, uma plataforma estratégica de posicionamento internacional, acesso a capital e fortalecimento institucional em uma economia cada vez mais orientada por critérios ambientais globais.
Um relatório CDP com base em apoio técnico especializado
Elaborar um relatório consistente para o CDP exige método, integração de dados e visão estratégica. Nesse contexto, o suporte técnico adequado faz diferença.
A Eccaplan atua justamente nessa interseção entre dados, estratégia e execução.
A partir de inventários completos de emissões de GEE (escopos 1, 2 e 3) organiza as informações de forma aderente às metodologias reconhecidas internacionalmente e aos critérios de pontuação do CDP.
Além disso, implementa sistemas de gestão de emissões que permitem monitoramento contínuo, consolidação de indicadores e rastreabilidade de dados. Isso reduz riscos, aumenta a confiabilidade das informações e fortalece a governança climática.
Além de dados e prestação de contas: ação prática
Contudo, o reporte não se encerra na mensuração. É preciso avançar na redução. Por isso, a estruturação de estratégias de descarbonização, metas factíveis e planos de transição passa a integrar o processo.
Nesse ponto, entram soluções como programas de CO₂ Neutro, Passagem Neutra, Evento Neutro e Frete Neutro, que possibilitam compensação responsável de emissões residuais, alinhadas a padrões reconhecidos.
Adicionalmente, por meio da plataforma Carbonfair, empresas acessam um ambiente estruturado para gestão e negociação de créditos de carbono, com rastreabilidade apoiada em tecnologia e conexão a projetos socioambientais certificados.
Assim, o apoio técnico vai além da entrega de um questionário preenchido. Ele integra diagnóstico, gestão, redução e compensação.
Em outras palavras, transforma o CDP em ferramenta estratégica de posicionamento, acesso a mercado e fortalecimento institucional em uma economia orientada por critérios climáticos cada vez mais rigorosos.
Quer estruturar um reporte CDP sólido, estratégico e alinhado às melhores práticas de 2026? Fale com nossa equipe!

