Planejamento estratégico da sustentabilidade e o sistema MRV

O MRV é um sistema para mensurar, relatar e verificar emissões, fortalecendo a transparência e a credibilidade das estratégias de sustentabilidade corporativa
Sistema MRV alinhado às soluções da Eccaplan

Existem diferentes metodologias e ferramentas voltadas a fortalecer o planejamento estratégico, a implementação e o aprimoramento contínuo de ações de sustentabilidade nas empresas.

Nesse contexto, o MRV vem ganhando protagonismo nos últimos anos. A sigla, que se refere a monitoramento (ou mensuração), relato e verificação, já orienta diretrizes centrais da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), por exemplo.

Três pilares complementares e essenciais

Na prática, o conceito se organiza em três pilares complementares, que atuam de forma integrada para transformar dados em informação confiável, orientar decisões estratégicas e fortalecer a transparência das ações de sustentabilidade.

Primeiro, a mensuração, que envolve acompanhar, quantificar e analisar a evolução dos indicadores ao longo do tempo.

Em seguida, o relato, etapa dedicada ao registro estruturado e à comunicação transparente dos resultados, permitindo comparabilidade e prestação de contas.

Por fim, a verificação, responsável por assegurar a confiabilidade das informações, por meio de análises independentes e critérios técnicos objetivos.

Um sistema para empresas e entidades governamentais

No campo da sustentabilidade corporativa e das políticas públicas, o MRV (aqui Monitoramento, Relato e Verificação) se consolida como um conjunto integrado de protocolos e dados.

Seu principal objetivo é medir e acompanhar emissões de gases de efeito estufa (GEE), além de outras ações ligadas à mitigação climática e à adaptação aos impactos do aquecimento global.

Por isso, a lógica do MRV precisa atravessar os principais eixos emissores de GEE, como florestas, uso e mudança do solo (agricultura e pecuária), transporte, energia e indústria.

Cada um desses setores demanda critérios próprios de análise, bem como variáveis, métricas e indicadores específicos.

Soluções sustentáveis da Eccaplan para empresas

Ajustado à especificidade de cada caso

Além disso, o desenho de um sistema de MRV eficaz depende diretamente da finalidade do monitoramento, das características do território ou bioma em questão e do alinhamento com padrões internacionais consolidados.

Esse processo também incorpora as diretrizes estabelecidas por órgãos oficiais e instituições técnicas especializadas.

Estes aspectos são fundamentais para assegurar a consistência metodológica, a transparência e a credibilidade das informações geradas.

Para compreender como esse sistema opera na prática, apresentamos a seguir um passo a passo ilustrado por alguns exemplos.

Cenário 1: Gestão de gases de efeito estufa

Quando o tema é o controle das emissões de gases de efeito estufa, o sistema MRV atua para garantir resultados fidedignos, ancorados em dados reais e metodologias reconhecidas.

Essas informações servem de base para relatórios de sustentabilidade mais robustos e confiáveis.

Além disso, o panorama construído a partir da prestação de contas de sustentabilidade permite às empresas avaliar diretrizes ou escolher novas metodologias.

Por fim, torna-se viável a definição de caminhos mais eficientes para a redução ou compensação das emissões de carbono. Esse ponto é crucial para a competitividade.

Mensuração ou monitoramento da “pegada de carbono

A etapa inicial do MRV envolve a coleta sistemática de informações e a elaboração do inventário de emissões, que organiza, classifica e consolida os dados das diferentes fontes emissoras.

A partir desse processo, aplicam-se equações e fatores de emissão cientificamente validados, assegurando precisão, rastreabilidade e consistência aos resultados.

O objetivo é quantificar, com o maior grau de precisão possível, o volume de gases de efeito estufa emitidos ou removidos por uma atividade específica.

Esses dados são especialmente relevantes para o agronegócio brasileiro, por exemplo. Isso porque o desmatamento e a degradação florestal respondem por cerca de 11% das emissões globais de carbono, segundo a UNEP.

Nesse contexto, produtores rurais que adotam sistemas robustos de MRV conseguem comprovar a conformidade ambiental.

Ademais, passam a acessar prêmios de sustentabilidade em contratos de exportação e linhas de crédito verde.

Relato: transparência como princípio

Após a mensuração, os dados são organizados e consolidados em relatórios estruturados, alinhados a protocolos internacionalmente reconhecidos, como o GHG Protocol Corporate Standard.

Esse eixo assegura a comunicação clara, completa e comparável das especificações.

Com isso, diferentes públicos podem compreender o desempenho climático de uma organização ou até de um país.

É por meio desse relato padronizado que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) são apresentadas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Desse modo, há o fortalecimento da transparência e credibilidade dos compromissos assumidos.

Verificação: mais garantia de confiabilidade

A etapa final do MRV consiste na verificação independente, conduzida por uma terceira parte qualificada, que avalia os procedimentos de mensuração e relato.

Esse processo assegura que as informações declaradas sejam precisas, consistentes e livres de distorções relevantes.

No mercado voluntário de carbono, a verificação é um requisito indispensável.

Um crédito de carbono só pode ser emitido e comercializado após a validação independente do projeto que o originou, conforme padrões reconhecidos internacionalmente, como o Verified Carbon Standard (VCS) ou o Gold Standard.

Compensação de carbono com compra de créditos do mercado de carbono do Brasil

Cenário 2: MRV aplicado às finanças verdes

No contexto das finanças sustentáveis, o MRV é um instrumento-chave para acompanhar o direcionamento de recursos para atividades alinhadas à agenda ambiental e climática.

Seu papel é ampliar a transparência. Some-se a isso também sua utilidade para a integridade e a comparabilidade das informações financeiras.

Nesse âmbito, o processo de relato se concentra principalmente em instituições financeiras e empresas de capital aberto.

Especificamente, o foco recai sobre indicadores como a proporção de ativos sustentáveis, a alocação de investimentos e a destinação do CaPex.

Deste modo, torna-se possível avaliar o alinhamento das carteiras e das estratégias corporativas aos critérios de sustentabilidade.

MRV e TSB: duas siglas, um objetivo

Um exemplo central dessa aplicação é a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), como já mencionamos aqui.

O sistema de MRV associado à TSB estrutura o monitoramento, o relato e a verificação dos fluxos financeiros vinculados a atividades classificadas como sustentáveis.

Com isso, o mercado passa a contar com maior clareza, consistência e credibilidade na identificação desses investimentos.

Consequentemente, o MRV também apoia o desenho e o monitoramento de políticas públicas e instrumentos de incentivo financeiro.

Ao analisar a evolução dos dados reportados, é possível identificar avanços, lacunas e oportunidades nos setores contemplados pela taxonomia.

De forma complementar, o MRV pode ainda contribuir para o acompanhamento das metas nacionais de sustentabilidade.

Isso inclui indicadores associados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e às Contribuições Nacionalmente Determinadas no âmbito do Acordo de Paris, em alinhamento com o Plano Clima.

Aplicações estratégicas e exemplos concretos

Como vimos, o escopo do MRV é amplo. Sem dúvida, é um sistema que se adapta a diferentes contextos e escalas de atuação.

No campo das políticas públicas, o Sistema Nacional de Registro de Emissões (SIRENE), coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, utiliza princípios de MRV para registrar e divulgar dados oficiais sobre emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

Dessa maneira, apoia a formulação, o monitoramento e o aprimoramento das políticas climáticas.

De projetos de conservação ao setor energético

Em projetos de conservação florestal e REDD+, sistemas de MRV baseados em sensoriamento remoto e dados de campo permitem acompanhar a redução do desmatamento com alto grau de precisão.

Nesse sentido, esses dados sustentam o cálculo de créditos de carbono e ajudam a assegurar que os benefícios financeiros estejam associados a resultados ambientais reais.

Já nos setores industrial e energético, empresas intensivas em emissões, como as dos segmentos de cimento e siderurgia, adotam sistemas corporativos de MRV para gerenciar emissões diretas, classificadas como escopo 1, e emissões indiretas associadas ao consumo de energia, enquadradas no escopo 2.

Sendo assim, atendem tanto às exigências regulatórias quanto à crescente demanda de investidores e do mercado por transparência e responsabilidade climática.

Vale lembrar, por fim, que todo esse processo converge para a descarbonização, eixo central das regulamentações atuais e das normas que vêm orientando as empresas nos próximos anos.

A implementação do MRV na prática

Na prática, um sistema de MRV só funciona quando está integrado a uma gestão baseada em dados concretos e verificáveis.

É exatamente nesse ponto que as soluções de sustentabilidade da Eccaplan se inserem.

Por meio do inventário de emissões, por exemplo, a Eccaplan estrutura a etapa de mensuração. As emissões são identificadas, classificadas e quantificadas com base em metodologias internacionalmente reconhecidas.

Assim, cria-se uma base sólida de dados, essencial para qualquer estratégia climática.

Soluções alinhadas ao sistema MRV

Em seguida, a gestão de emissões transforma informação em ação.

Nesse processo, o sistema de gestão de emissões funciona como uma ferramenta integrada de acompanhamento das emissões da empresa e de sua cadeia de fornecedores.

Com dados consistentes e atualizados, torna-se possível orientar decisões, reduzir impactos ambientais e demonstrar, de forma transparente, o compromisso com o enfrentamento das mudanças climáticas.

Com efeito, a conexão entre a gestão de GEE e o sistema MRV passa a orientar decisões operacionais e estratégicas, trazendo vantagens competitivas e diferenciais que impactam stakeholders positivamente.

Vale dizer ainda que outras soluções como CO₂ Neutro e Evento Neutro, entre outras, ampliam a aplicação do MRV ao conectar mensuração e relato à compensação das emissões residuais.

Nesse estágio, após a quantificação e a divulgação dos dados, as emissões que não podem ser reduzidas no curto prazo passam a ser compensadas por meio de créditos de carbono.

Para que esse processo seja consistente, é fundamental que a compensação siga critérios de controle de origem, transparência e integridade ambiental, assegurando coerência entre os dados reportados e o impacto climático gerado.

Nesse panorama, a Carbonfair desempenha um papel central.

Seus projetos geram créditos de carbono com integridade ambiental, rastreabilidade e critérios de verificação alinhados a padrões internacionais.

Consequentemente, a etapa de verificação do MRV é fortalecida, garantindo que a compensação reflita reduções reais e adicionais de emissões.

Quer estruturar o MRV da sua empresa com dados confiáveis e soluções completas? Conheça as soluções da Eccaplan e converse com o nosso time.

Selo Carbono Neutro

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