Elementos de terras raras: novo impulso para a sustentabilidade?

Terras raras saem do campo técnico e tornam-se centrais para a transição energética e a competitividade global
Elementos de terras raras e sustentabilidade Eccaplan

Poucos materiais são tão invisíveis e tão decisivos quanto as terras raras.

É por isso que elas ganharam forte presença no noticiário e nos debates sobre sustentabilidade.

Um dos principais motivos se relaciona com o aumento da demanda global por esses materiais.

Em 2020, a produção foi de cerca de 240 mil toneladas de óxidos de terras raras. Por sua vez, em 2024, o volume alcançou aproximadamente 390 mil toneladas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

A propósito, estimativas da Agência Internacional de Energia apontam que a procura por esses elementos pode aumentar até sete vezes até 2040.

Por que são tão cobiçados?

Esse avanço está diretamente ligado à transição energética e à digitalização da economia, além de evidenciar sua importância para o aperfeiçoamento de instrumentos para pesquisas espaciais.

Nesse contexto, o assunto recebeu maior atenção ainda após o anúncio do acordo firmado entre Brasil e Índia, divulgado neste mês de fevereiro.

Antes de tudo, é fundamental entender como os elementos terras raras (ETR) são classificados.

Em seguida, torna-se possível analisar o papel estratégico desses materiais na transição energética e em outras frentes da sustentabilidade.

Elementos terras raras

As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos com propriedades semelhantes, normalmente encontrados em minerais específicos. Esse conjunto reúne os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y).

Entre eles, destacam-se aqueles utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, como neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e disprósio (Dy).

De modo geral, esses elementos surgem como subprodutos da extração de outros recursos minerais, especialmente em depósitos de nióbio (Nb) e fosfato (PO4).

Embora existam mais de 200 minerais que contenham ETR, apenas uma parcela apresenta viabilidade econômica. Entre os principais estão bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita.

Além disso, a separação e o refino em níveis elevados de pureza são tecnicamente complexos. Por isso, esses materiais possuem alto valor estratégico.

Consequentemente, tornaram-se essenciais para tecnologias avançadas e soluções de baixo carbono, desde turbinas eólicas e motores de veículos elétricos até smartphones e sistemas de defesa.

Soluções sustentáveis da Eccaplan para empresas

Aplicações e contribuição para a sustentabilidade

De forma geral, os elementos terras raras contribuem para aumentar a eficiência e o desempenho de tecnologias modernas e de energia limpa. Nesse sentido, são fundamentais em turbinas eólicas e motores elétricos.

Da mesma maneira, como já mencionamos acima, aparecem em equipamentos aeroespaciais, como satélites, foguetes e sistemas de navegação.

Isso acontece porque esses elementos apresentam propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes diferenciadas.

Por isso, tornam-se indispensáveis para tecnologias complexas e para soluções energéticas mais eficientes.

Em outras palavras, as terras raras possuem características eletrônicas e magnéticas únicas.

Portanto, permitem aplicações em setores estratégicos que vão da indústria de alta tecnologia à transição energética global.

Ao mesmo tempo, sua relevância cresce conforme avançam as tecnologias sustentáveis.

Por fim, dominar o conhecimento sobre pesquisa, extração e processamento desses elementos representa mais do que uma conquista científica.

Também envolve competitividade econômica e posicionamento geopolítico, fatores cada vez mais decisivos no cenário internacional.

O panorama brasileiro quanto aos ETR

O Brasil ocupa uma posição estratégica no cenário global das terras raras. O país concentra a segunda maior reserva mineral desses elementos no mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas.

Esse volume representa aproximadamente 23% dos recursos globais conhecidos. Portanto, o potencial brasileiro é expressivo.

Diante desse quadro, cresce a expectativa de maior protagonismo nacional na produção de ETR. No entanto, transformar potencial geológico em produção efetiva ainda é um desafio.

Para isso, é necessário ampliar o conhecimento sobre o território, mapear novas ocorrências e converter recursos estimados em reservas economicamente viáveis.

Mais ainda, o país precisa avançar em infraestrutura, tecnologia e capacidade industrial.

A separação e o refino em alta pureza continuam sendo etapas bastante complexas que requerem precisão. Por esse motivo, exigem investimento, inovação e desenvolvimento técnico.

Incrementos tecnológicos para avançar no cenário global

Apesar das reservas relevantes, a produção brasileira ainda é reduzida. Em 2024, o país produziu cerca de 20 toneladas de terras raras (dados do SBG).

Essa cifra representa menos de 1% da produção mundial, que alcançou aproximadamente 390 mil toneladas. Ou seja, existe uma diferença importante entre potencial e exploração.

Enquanto isso, a China mantém posição dominante.

Porém, vale dizer que o destaque não está apenas no volume produzido, mas principalmente no domínio das etapas tecnológicas de separação e refino que permitem obter óxidos de alta pureza. Assim, a liderança ocorre ao longo de toda a cadeia de valor.

Nesse contexto, a cooperação entre instituições científicas, governo e setor privado torna-se essencial.

Parcerias estratégicas podem acelerar o desenvolvimento tecnológico e reduzir gargalos produtivos. Consequentemente, aumentam as chances de transformar recursos estimados em depósitos minerais viáveis.

Em síntese, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação nesse mercado.

Entretanto, isso depende de pesquisa geológica, inovação industrial e coordenação entre diferentes atores.

Dessa forma, o país pode converter seu potencial mineral em vantagem econômica e estratégica no cenário da transição energética.

Órgão nacional de mapeamento do potencial de ETR

O Serviço Geológico do Brasil exerce um papel central na produção de conhecimento sobre o território brasileiro. O órgão federal é responsável pelo mapeamento geológico do país, pela geração de dados geocientíficos e pela avaliação do potencial mineral nacional.

Dessa forma, contribui diretamente para o planejamento estratégico de recursos naturais.

No contexto dos Elementos Terras Raras (ETR) e de outros minerais críticos, a atuação envolve identificar áreas promissoras e reunir informações técnicas qualificadas. Para isso, são realizados levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos.

Em seguida, esses dados passam por processamento e análise, permitindo avaliar a viabilidade técnica e econômica de diferentes depósitos minerais.

Ademais, esse trabalho fornece base para decisões públicas e privadas.

Por um lado, orienta políticas industriais e ambientais. Por outro, reduz incertezas para investimentos e projetos de mineração.

Consequentemente, fortalece a inserção do Brasil em cadeias produtivas globais associadas à transição energética, à segurança alimentar e ao desenvolvimento tecnológico.

Inventário de GEE da Eccaplan

O Brasil no cenário dos minerais críticos

Com recursos minerais relevantes e projetos em expansão, o Brasil esforça-se para consolidar sua presença no mercado global de minerais estratégicos.

Como vimos, esses materiais estão no centro das discussões industriais e geopolíticas, principalmente por sua aplicação em tecnologias de ponta.

Especificamente, o país se destaca em diferentes frentes:

  • Lidera globalmente as reservas de nióbio, concentrando a maior parte do recurso conhecido;
  • Ocupa posição de destaque nas reservas de grafita, insumo essencial para baterias e eletrificação;
  • Possui uma das maiores reservas de terras raras, fundamentais para tecnologias de baixo carbono;
  • Também figura entre os principais países em reservas de níquel, mineral estratégico para a produção de baterias e ligas metálicas.

Esse conjunto de recursos reforça o potencial brasileiro na nova economia mineral.

Entretanto, transformar reservas em produção competitiva exige continuidade em pesquisa, inovação e coordenação institucional.

Em síntese, o trabalho técnico conduzido pelo SGB amplia o conhecimento sobre o território e reduz lacunas de informação. Como resultado, vem criando condições para que o Brasil avance na cadeia global de minerais críticos e estratégicos.

A proposta é que o país possa alinhar seu potencial mineral às demandas da transição energética e do desenvolvimento sustentável.

Claro que ainda há muito a ser feito e boa parte disso também está na legislação.

Marco regulatório e governança das terras raras no Brasil

O avanço das terras raras também impulsiona debates regulatórios.

Nesse contexto, a Câmara e o Senado enfrentam o desafio de estruturar um marco legal capaz de equilibrar crescimento econômico, segurança de suprimento e sustentabilidade ambiental.

Simultaneamente, cresce a percepção de que esses minerais serão decisivos para a competitividade industrial nas próximas décadas.

Nos últimos anos, propostas legislativas passaram a tratar de forma mais direta os minerais estratégicos.

Entre as prioridades estão estimular o processamento dentro do país, garantir o abastecimento da indústria nacional e criar diretrizes para o desenvolvimento tecnológico associado a esses recursos.

O objetivo é consolidar uma visão de longo prazo que considere tanto o potencial econômico quanto os impactos socioambientais da mineração.

Diretrizes em discussão para a política de minerais estratégicos

  • Fortalecimento da cadeia produtiva nacional

Primeiramente, as propostas discutem mecanismos para ampliar o beneficiamento e o refino no território brasileiro. Dessa forma, busca-se reduzir a dependência externa e aumentar o valor agregado das exportações.

  • Segurança de abastecimento industrial

Outro ponto central envolve garantir o fornecimento futuro de minerais críticos para setores estratégicos. Isso inclui energia limpa, mobilidade elétrica, eletrônica e defesa. Assim, políticas públicas passam a considerar minerais como ativos estratégicos.

  • Incentivo à inovação e à tecnologia

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento tecnológico aparece como condição essencial. Investimentos em pesquisa, processamento mineral e soluções industriais são vistos como caminhos para ampliar a competitividade do país.

  • Sustentabilidade e licenciamento responsável

Paralelamente, cresce a preocupação com práticas ambientais e sociais. O debate regulatório inclui mineração responsável, rastreabilidade, redução de impactos e alinhamento a padrões internacionais de sustentabilidade.

Terras raras, soberania e posicionamento global

O debate regulatório também está ligado ao papel estratégico desses minerais no século XXI.

Assim como outros recursos naturais foram determinantes em ciclos econômicos anteriores, as terras raras passam a influenciar segurança energética, inovação e autonomia industrial.

Na prática, investir na estruturação de políticas para o setor significa fortalecer a capacidade nacional de participar das cadeias globais de tecnologia.

Ao mesmo tempo, abre oportunidades para geração de valor, atração de investimentos e desenvolvimento regional.

Em síntese, a construção de um marco legal para terras raras representa um passo essencial para transformar potencial mineral em estratégia de país.

Com regras claras, incentivos adequados e foco em sustentabilidade, o Brasil pode avançar de fornecedor de recursos para protagonista na nova economia mineral.

O papel das empresas na agenda das terras raras

A consolidação das terras raras como eixo estratégico também depende da atuação do setor empresarial.

Afinal, são as empresas que transformam potencial mineral em soluções tecnológicas, produtos e cadeias produtivas estruturadas.

Nesse sentido, o avanço dos ETR está diretamente ligado à capacidade de inovação, investimento e integração industrial.

Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade corporativa. Organizações que atuam na mineração, na indústria e na tecnologia passam a lidar com exigências cada vez maiores relacionadas à rastreabilidade, à transparência e à gestão de impactos socioambientais.

Portanto, sustentabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.

Principais frentes de atuação corporativa

  • Expansão dos investimentos em exploração

Empresas internacionais direcionam recursos para regiões com alto potencial geológico, especialmente em países que concentram grandes reservas. Ademais, muitos projetos possuem cronogramas para entrar em operação nos próximos anos, o que deve ampliar a oferta global.

  • Processamento e integração vertical

Em seguida, cresce a estratégia de integração vertical. Ou seja, companhias procuram controlar diferentes etapas da cadeia produtiva, da extração ao processamento e à fabricação de materiais magnéticos. Essa abordagem reduz vulnerabilidades, melhora previsibilidade de custos e fortalece a segurança da cadeia de suprimentos.

  • Desenvolvimento de tecnologias de mineração sustentável

Paralelamente, o setor investe em métodos de extração com menor impacto ambiental. Entre as abordagens estão técnicas aplicadas a depósitos específicos, como argilas iônicas, além de processos que reduzem consumo de água, geração de resíduos e uso de reagentes agressivos. Desse modo, a inovação tecnológica passa a ser um elemento central da competitividade.

  • Parcerias estratégicas e construção de cadeia local

Outro eixo relevante envolve cooperação entre empresas, fornecedores de tecnologia e indústria transformadora. Essas parcerias buscam acelerar a industrialização, compartilhar conhecimento e desenvolver a cadeia produtiva local. Como resultado, aumentam as possibilidades de agregação de valor dentro do próprio país.

Empresas como motor da nova cadeia global

A atuação corporativa conecta mineração, indústria e transição energética.

Evidentemente, as empresas deixam de ser meras operadoras de recursos e passam a atuar como estruturadoras de ecossistemas produtivos e regenerativos.

Acrescente-se a isso o fato de que organizações que investem em inovação e sustentabilidade tendem a ocupar posições estratégicas nas cadeias globais de tecnologia limpa.

Isso inclui não apenas a produção de matérias-primas, mas também o domínio de etapas industriais críticas.

Em síntese, o avanço das terras raras depende cada vez mais de decisões empresariais. Investimento, tecnologia, integração e colaboração definem a velocidade de desenvolvimento do setor.

Consequentemente, companhias que antecipam essa transformação ampliam sua relevância na economia de baixo carbono e na indústria do futuro.

Como soluções especializadas podem apoiar esse avanço

Ferramentas e metodologias especializadas são inegavelmente essenciais para que empresas estruturem sua jornada pela responsabilidade ambiental.

Por exemplo, iniciativas voltadas à mensuração de emissões, compensação de carbono, engajamento de stakeholders e construção de relatórios fortalecem a governança ambiental.

Consequentemente, organizações que integram sustentabilidade à estratégia conseguem participar de cadeias globais mais exigentes, especialmente aquelas ligadas a minerais críticos e tecnologias limpas.

Assim, soluções como as desenvolvidas pela Eccaplan podem apoiar empresas em diferentes etapas. Isso inclui cálculo da pegada de carbono, gestão de emissões de carbono, estratégias e ações de compensação de emissões, treinamento em temas voltados para a sustentabilidade, entre muitas outras.

Em síntese, o avanço das terras raras não depende apenas de geologia, tecnologia ou regulação.

Depende também de empresas preparadas para operar com responsabilidade, transparência e visão de longo prazo.

Nesse contexto, a integração entre inovação mineral e soluções de sustentabilidade tende a definir os protagonistas da nova economia de baixo carbono.

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Selo CO2 Neutro, solução de sustentabilidade da Eccaplan

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