Você está organizando um evento e busca torná-lo mais sustentável? Ou participou de uma iniciativa que se comunicava como “Evento Neutro” e quer entender o que isso significa na prática?
Independentemente do ponto de partida, compreender como funciona a neutralização de carbono é fundamental para avaliar a consistência dessa estratégia. Neste artigo, explicamos como um evento pode mensurar, compensar suas emissões e estruturar uma gestão climática responsável, transformando compromisso ambiental em ação concreta.
De uma forma simples, nesse artigo vamos explicar:
- O que significa neutralização de carbono ou carbono zero em eventos
- Quais são as etapas da neutralização de carbono em eventos
- Eventos carbono zero são mais sustentáveis?
As atividades necessárias para a realização de um evento liberam, direta e indiretamente, gases de efeito estufa. Transporte de equipes e equipamentos, consumo de energia, montagem de estruturas e gestão de resíduos fazem parte da operação e geram emissões. Por isso, o impacto ambiental de um evento pode ser mensurado a partir da quantidade de CO₂ emitida ao longo de todo o seu ciclo.
Para dimensionar essa realidade, basta observar que, somente na cidade de São Paulo, ocorre em média um evento a cada dois minutos, entre shows, feiras, congressos, palestras e treinamentos. Agora considere a escala de pessoas mobilizadas, equipamentos transportados, estruturas montadas e desmontadas, energia consumida e resíduos gerados. O potencial de impacto climático é significativo e exige gestão estruturada.
Todos esses fatores estão relacionados à emissão de gases de efeito estufa. Mesmo que a organização identifique e adote medidas para reduzir essas emissões, ainda sim, há uma parcela que é inevitável.
A neutralização de carbono em eventos assegura que a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida durante sua realização seja compensada por meio do apoio a projetos ambientais que removeram da atmosfera ou evitaram emitir um volume equivalente de CO₂. Trata-se de um mecanismo de compensação proporcional, baseado na quantificação prévia das emissões geradas.
Na prática, ao neutralizar suas emissões, o evento equilibra seu impacto climático em termos de CO₂. Isso ocorre por meio do financiamento de projetos de preservação florestal, como iniciativas de REDD, ou de tecnologias limpas e energias renováveis, que promovem reduções certificadas de emissões.

Quais são as etapas da neutralização de carbono em eventos?
A neutralização de carbono em eventos acontece por meio de 4 etapas sequenciais: a coleta de dados; o cálculo ou inventário de emissões de carbono; a compensação; e por último, vamos considerar aqui uma etapa fundamental, que chamaremos de transparência e rastreabilidade.
Etapa 1: Coleta de Dados
Nesta etapa, o objetivo é levantar todas as informações pertinentes que serão posteriormente utilizadas no cálculo do inventário de emissões. Os dados devem abranger todas as etapas do evento: montagem, realização e desmontagem.
O transporte, o consumo de energia e a geração de resíduos estão entre as fontes de gases de efeito estufa mais comuns em eventos, portanto, as informações mais comuns levantadas são a: quantidade de pessoas envolvidas, os deslocamentos realizados, a potência e tempo de uso de geradores de energia, a quantidade e tipo de resíduos gerados.
Etapa 2: Cálculo da Emissões
Essa etapa também é conhecida como “inventário de emissões”. O objetivo do cálculo é converter todas as emissões de efeito estufa que não puderam ser evitadas em “kg de CO₂ equivalente”. Essa é a unidade de medida internacional que foi adotada para medir o impacto ambiental ou a “pegada de carbono” de eventos.
Essa conversão é feita através de metodologias reconhecidas pelo comitê de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, como o GHG Protocol. Seguindo todas as conversões necessárias, tem-se como produto final, a quantidade em kg de CO₂ equivalente que o evento gerou.
Etapa 3: Compensação das Emissões
Agora que já é conhecida a quantidade de CO₂ que precisa ser neutralizada, vamos entender um pouco mais sobre o mecanismo de neutralização de carbono.
O comitê de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, através do Protocolo de Kyoto, definiu que países em desenvolvimento podem implementar projetos que contribuam para a sustentabilidade e apresentem uma redução ou captura de emissões de gases causadores do efeito estufa, obtendo como resultado as Reduções Certificadas de Emissões (RCEs, ou na sigla em inglês, CERs), mais conhecidas como créditos de carbono.
Cada tonelada de gás carbônico removida ou evitada, e comprovadamente mensurável, é convertida em 1 crédito de carbono. Os créditos de carbono são emitidos sempre ex-post, ou seja, após a comprovação de sua contribuição na redução dos níveis de gases de efeito estufa.
Portanto, somente projetos ambientais com benefícios comprovados e que passam por auditorias e verificações podem emitir créditos de carbono.
Etapa 4: Transparência e Rastreabilidade
Um crédito de carbono pode ser utilizado apenas uma única vez para fins de neutralização, não sendo permitida qualquer forma de duplicidade. Para garantir esse controle, realiza-se a chamada “aposentadoria” do crédito em nome do evento que teve suas emissões compensadas. Esse procedimento assegura que o ativo ambiental não volte a circular no mercado.
A comprovação da aposentadoria deve ser fornecida pela empresa responsável pela neutralização. Em geral, é disponibilizado um código de rastreio que permite consultar, diretamente no registro do mercado de carbono onde o crédito está depositado, a confirmação de sua retirada definitiva.

Eventos carbono zero são mais sustentáveis?
A neutralização de carbono é um mecanismo reconhecido internacionalmente que atua na causa do aquecimento global, contribuindo para minimizar os efeitos negativos das mudanças climáticas.
A neutralização via créditos de carbono é o único mecanismo de compensação ambiental reconhecido pela ONU e que faz parte dos requisitos de eventos sustentáveis da norma ISO 20121 de Gestão Sustentável de Eventos.
O grande benefício ambiental é que esses projetos atuam diretamente na causa do aquecimento global, reduzindo ou eliminando as emissões de gases de efeito estufa. Essa é uma forma legítima de incentivar esses projetos ambientais.
