Contrariamente ao que se acredita, uma empresa de pequeno ou médio porte pode estruturar uma gestão de carbono de forma eficaz.
Consequentemente, também pode conquistar reconhecimento pela qualidade do inventário de emissões e transformar dados ambientais em decisões de negócio.
De forma geral, a trajetória da RL Higiene que contamos neste artigo mostra como isso é possível.
E o caminho é introduzir a sustentabilidade como parte da estratégia empresarial para além de qualquer obrigatoriedade.
RL Higiene: mais de 15 anos mensurando emissões
Distribuidora de produtos de higiene e limpeza com quase 50 anos de mercado, a RL realiza seu inventário de gases de efeito estufa (GEE) desde 2009.
Ao longo dessa jornada, conquistou 13 vezes o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, reconhecimento associado à publicação do inventário e à auditoria independente das informações.
É o que veremos, passo a passo, neste artigo, a partir da conversa entre Érica Cardoso, gerente de Processos e Projetos da RL Higiene e líder do Comitê de Sustentabilidade da empresa, e Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan.
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Gestão de carbono antes da obrigatoriedade
Primeiramente, para Érica Cardoso, o ponto de partida para qualquer ação está na forma de compreender a agenda ambiental e o modo como ela dialoga com a realidade e os valores da empresa.
“Não dá para gerenciar o que a gente não conhece e o que a gente não mede”, afirma.
Por isso, o inventário de emissões funciona como uma ferramenta-chave que permite identificar as principais fontes de GEE da operação.
Mais ainda, torna viável estabelecer prioridades e encontrar oportunidades de melhoria. Acrescente-se a isso o consumo de energia, combustíveis e transporte, alguns dos aspectos que ajudam a compor esse diagnóstico de forma mais precisa.
Contudo, a proposta vai além de um simples registro de dados ou de um cumprimento de uma demanda jurídica. Além de mensurar a pegada de carbono, todas as informações coletadas e armazenadas viabilizam a tomada de decisões sobre processos, equipamentos, logística e compras.
Dessa forma, a gestão de carbono vai muito além de uma resposta a exigências externas, demandas de consumidores e parceiros e passa a integrar o planejamento do negócio de maneira concreta.
Porém, algumas das perguntas que muitas PMEs se fazem são: a partir da decisão de inventariar as emissões, por onde começar? Como escolher a forma de registro das emissões e quem deve participar?
É o que explicaremos na sequência.
Como organizar o inventário de GEE em uma empresa de médio porte
Um dos desafios enfrentados por empresas de médio porte é estruturar a agenda de sustentabilidade sem necessariamente contar com uma equipe exclusiva para o tema. Na RL, a solução foi distribuir responsabilidades entre diferentes áreas.
Os setores de logística, compras e vendas participam da coleta de informações e compreendem quais indicadores precisam acompanhar em suas rotinas.
Com isso, a gestão de carbono passa a fazer parte dos processos existentes, em vez de depender de uma única equipe.
“Entendemos que sustentabilidade não é de uma área isolada”, explica Érica.
Ademais, compartilhar o propósito e evidenciar as responsabilidades de cada time facilitou a implementação do inventário.

A busca pela expertise
Assim, a empresa começou a realizar o levantamento internamente. Porém, com o passar do tempo, percebeu a complexidade técnica envolvida e decidiu buscar apoio especializado.
Foi nesse contexto que a Eccaplan passou a atuar em parceria com a RL, em 2012, apoiando a elaboração do relatório, a consolidação das informações e o processo de verificação e divulgação do inventário.
A parceria também contribuiu para incorporar a coleta de dados à rotina das equipes.
Desse modo, a atividade de reunir indicadores deixou de ser uma iniciativa pontual. Consequentemente, passou a integrar o funcionamento da empresa, tornando-se uma das metas, coadunada com os valores de sustentabilidade da RL.
O papel da verificação independente na conquista do Selo Ouro
Elaborar um inventário de gases de efeito estufa é um passo importante, isso já ficou claro. Entretanto, garantir a qualidade e a transparência das informações exige atenção adicional.
A verificação independente avalia a consistência do inventário conforme os critérios e procedimentos aplicáveis.
No contexto do Programa Brasileiro GHG Protocol, o processo de verificação por organismo acreditado pelo Inmetro contribui para dar credibilidade às informações divulgadas.
A RL decidiu avançar nessa direção para reforçar a transparência de sua gestão ambiental.
Além disso, a organização também participa do Registro Público de Emissões, tornando seus dados acessíveis a clientes, parceiros e demais públicos interessados.
“Existem relatórios bonitos, mas que na prática nem sempre funcionam assim”, observa Érica ao explicar a importância de validar as informações.
Ela também destaca a contribuição da Eccaplan no processo:
“A Eccaplan foi essencial para nós nesse processo, porque vocês nos ajudam a fazer toda a coleta de informações, nos deixam mais seguros com base nas informações coletadas e nos deixam mais preparados para esse momento”.
O reconhecimento Selo Ouro está relacionado à qualidade e à transparência do inventário publicado, considerando os requisitos do programa.
Não se trata apenas de um certificado ou selo a ostentar, mas de um resultado que depende de dados consistentes, processos organizados e compromisso com a prestação de contas.
Dos dados às decisões: como reduzir as emissões de carbono
O inventário ganha valor quando orienta mudanças concretas e passíveis de verificação por qualquer stakeholder. Na RL, os resultados ajudaram a identificar oportunidades e fundamentar decisões relacionadas à operação.
Um dos exemplos citados por Érica é a adoção do etanol em 100% da frota da empresa.
Mesmo reconhecendo que a escolha não representava necessariamente o menor custo, a RL optou pela alternativa considerando seu impacto ambiental.
Outra iniciativa foi a instalação de placas fotovoltaicas em uma das unidades. A coordenação das duas experiências mostram como os dados do inventário podem contribuir para avaliar alternativas e orientar investimentos.
Certamente, o levantamento também revelou oportunidades importantes no Escopo 3, que reúne emissões indiretas da cadeia de valor e costuma ser uma pedra no sapato de empresas de qualquer porte.
No caso da RL, cerca de 90% das emissões identificadas no inventário mais recente estavam relacionadas a esse escopo, sendo 77% delas associadas ao transporte.
Em outras palavras, esse diagnóstico direciona os próximos passos da organização, que busca envolver cada vez mais parceiros na redução das emissões. Afinal, compreender o impacto da logística, dos deslocamentos e das relações com fornecedores permite estabelecer prioridades muito mais alinhadas à realidade do negócio.
Entretanto, o foco não se restringiu à redução, já que a RL também trabalha com a compensação de emissões inevitáveis.
Nos últimos quatro anos, a empresa compensou 484 toneladas de CO₂ por meio da aquisição de créditos de carbono, com apoio da Eccaplan na identificação de oportunidades ligadas à agricultura regenerativa.
A iniciativa está associada ao Selo CO₂ Neutro, distinto do reconhecimento Selo Ouro.
Sustentabilidade é uma jornada contínua
De modo geral, a experiência da RL Higiene mostra que uma gestão de carbono consistente não depende de esperar pelas condições ideais. Ela começa com a medição dos impactos, avança com a organização dos processos e ganha força quando os dados orientam decisões.
Portanto, para PMEs, distribuir responsabilidades, estabelecer uma rotina de coleta de indicadores e contar com apoio técnico especializado são caminhos para estruturar esse trabalho com consistência.
A recomendação de Érica aos gestores que ainda adiam o primeiro inventário é direta:
“Não espere estar tudo perfeito para começar”.
Segundo ela, o importante é identificar os impactos mais relevantes para o negócio, envolver as pessoas e avançar continuamente.
O apoio especializado faz a diferença
Como mostra a trajetória da RL Higiene, registrar os dados é apenas o começo.
O pulo do gato acontece quando toda aquela quantidade de informações precisa se transformar em um inventário de emissões consistente, verificável e transparente, que possa ser compartilhado com clientes, parceiros e demais públicos de interesse.
Foi nesse momento que a RL buscou apoio especializado para organizar o processo, dar consistência às informações e se preparar para a verificação independente do inventário.
A Eccaplan acompanha essa jornada com suporte técnico na elaboração do inventário e do sistema de gestão de GEE, na preparação para a verificação e na compensação de emissões, conforme as necessidades de cada empresa.
Com efeito, os dados ambientais deixam de ser apenas números e passam a orientar decisões, revelar oportunidades de melhoria e fortalecer a gestão climática.
Sua empresa quer conhecer melhor suas emissões e identificar oportunidades para reduzi-las antes de qualquer regulamentação? Converse com a equipe da Eccaplan e descubra como estruturar um inventário de gases de efeito estufa consistente com a realidade do seu negócio.


