Gestão de resíduos em eventos

Jackeline Perônico, da Eccaplan, explica por que a gestão de resíduos em eventos exige mais que reciclagem.
Capa do artigo sobre gestão de resíduos em eventos, com a especialista Jackeline Perônico, Gerente de Sucesso do Cliente da Eccaplan

A gestão de resíduos em eventos vai além da reciclagem. Ela depende de planejamento prévio, separação na origem, parcerias com cooperativas e indicadores que comprovem os resultados. É o que explica Jackeline Perônico, Gerente de Sucesso do Cliente da Eccaplan, neste artigo.

Quando um grande evento termina, o público leva consigo a emoção e a experiência, mas o trabalho das equipes nos bastidores continua. É nessa etapa que ocorrem a desmontagem dos estandes, a retirada de estruturas e a limpeza dos espaços. Assim, ficam para trás embalagens, restos de alimentos, materiais de comunicação e uma série de outros resíduos. O volume de descartes pode ser expressivo. Contudo, o impacto ambiental depende também do que acontece depois: como a equipe separou esses materiais, quais podem ser reaproveitados ou reciclados e se receberam a destinação adequada.

Por isso, uma boa gestão de resíduos começa no planejamento do evento. Ela envolve decisões que passam despercebidas pelo público, mas fazem diferença no resultado ambiental. Em festivais de música e feiras de negócios, como o Coala Festival e a ABAV Expo, a organização prévia precisa considerar as características de cada operação. Além disso, é preciso levar em conta os fornecedores envolvidos e a estrutura disponível para o gerenciamento dos materiais.

Considerando a variedade de fatores envolvidos, convidamos Jackeline Perônico, Gerente de Sucesso da Eccaplan, para compartilhar sua experiência e dicas práticas. Ela fala sobre as medidas que contribuem para uma gestão de resíduos eficiente e sobre os principais desafios dos grandes eventos. Além disso, explica por que a coleta seletiva, sozinha, não resolve o problema.

Por que reciclar não é suficiente para garantir uma boa gestão de resíduos em eventos?

A reciclagem é uma etapa muito importante, mas representa apenas uma parte da solução. Uma gestão eficiente começa muito antes, no programa de prevenção. Assim, esse programa deve ter como objetivos a redução do consumo de materiais descartáveis, a contenção eficaz de desperdícios e a priorização de alternativas reutilizáveis. Além disso, é necessário contar com equipes preparadas para separar corretamente os resíduos, identificar oportunidades de compostagem e assegurar a destinação adequada de cada material.

O que precisa ser planejado antes de um grande evento para evitar o desperdício e aumentar a reciclagem?

Como já assinalamos anteriormente, as ações começam com um planejamento estratégico e sistematizado. O primeiro passo consiste em determinar, de forma aproximada, a quantidade de resíduos prevista, de acordo com o tipo de evento. Em seguida, é preciso definir os pontos de coleta, orientar os fornecedores, dimensionar cada equipe e estabelecer suas respectivas incumbências. Por fim, vale firmar parcerias com cooperativas e operadores especializados.

Muitas equipes negligenciam outro ponto importante: durante a montagem e a realização do evento, é fundamental separar os materiais na origem. O acompanhamento da operação também é essencial, pois ajuda a evitar a contaminação dos materiais e as perdas de recicláveis.

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Como engajar o público, os fornecedores e as equipes na gestão de resíduos durante o evento?

A participação de todos faz diferença, e o público deve saber e sentir que precisa estar na linha de frente pela causa ambiental. Por isso, a comunicação precisa ser clara desde a divulgação do evento e os contatos com a mídia. Nela, vale ressaltar que o local contará com coletores bem identificados, orientações acessíveis e equipes preparadas para esclarecer dúvidas.

Portanto, tudo isso contribui para que cada participante se sinta envolvido e compreenda seu papel na responsabilidade ambiental. Ainda, a organização deve alinhar procedimentos com expositores, equipes de alimentação, fornecedores e demais parceiros. Dessa forma, o compromisso climático deixa de depender apenas de uma das partes, seja o público ou a organização. Assim, ele passa a integrar toda a operação.

O que exemplos como o Coala Festival e a ABAV Expo ensinam sobre gestão de resíduos em grandes eventos?

Cada formato apresenta desafios específicos. A seguir, veja o que a experiência de um festival de música e de uma feira de negócios mostra na prática.

Coala Festival: resíduos em um festival de música

Em festivais de música, a operação precisa lidar com grandes volumes de embalagens, resíduos de alimentação e materiais descartados pelo público. Na 12ª edição do Coala Festival, realizada em 12 e 13 de setembro no Memorial da América Latina, em São Paulo, a gestão teve várias frentes. Houve planejamento e gerenciamento dos resíduos recicláveis e orgânicos, além de apoio de cooperativas de reciclagem. Também houve triagem nos bastidores, com uma esteira instalada para essa finalidade, coleta, pesagem e destinação adequada.

Além disso, houve compostagem de orgânicos e coleta de bitucas, e as embalagens PET pós-consumo seguiram para uma operação de reciclagem dedicada. Trata-se de um trabalho de continuidade, que chega ao quarto ano consecutivo em parceria com a Coca-Cola FEMSA Brasil.

ABAV Expo: estandes, emissões e compensação

Já em feiras de negócios, como a ABAV Expo, a montagem e a desmontagem de estandes exigem atenção. É preciso cuidar dos materiais, das embalagens e da destinação dos resíduos. E a organização precisa medir e compensar o que não conseguiu evitar.

Na edição de 2026, realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, houve a quantificação das emissões associadas às ações institucionais da ABAV na feira e ao transporte de sua equipe e staff. Depois, a compensação chegou a 1.000 kg de CO₂, por meio de um projeto de energia renovável. A ação rendeu ao evento o selo Evento Neutro, com certificado e rastreabilidade. A ABAV também ampliou o compromisso com o projeto Turismo que Planta Futuro, que prevê o plantio de 2 mil árvores. Em ambos os casos, o planejamento e a integração entre organizadores, fornecedores e parceiros ambientais foram essenciais para o alcance das metas preestabelecidas.

Como saber se a gestão de resíduos de um evento realmente funcionou? Quais indicadores devem ser acompanhados?

Por isso, é fundamental medir os resultados para alcançar resultados concretos e verificáveis. De modo geral, os principais indicadores incluem o volume total de resíduos gerados e a quantidade encaminhada para reciclagem e compostagem. Além disso, entram na conta o percentual desviado de aterros sanitários e a destinação dos rejeitos. Para isso, relatórios e registros de rastreabilidade permitem avaliar o desempenho, identificar melhorias e comunicar os resultados com transparência. Dessa forma, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma intenção e passa a se apoiar em dados.

Resumidamente, uma boa gestão de resíduos transforma o compromisso ambiental em prática. Ou seja, com planejamento, participação e indicadores confiáveis, grandes eventos podem reduzir desperdícios, fortalecer a economia circular e gerar benefícios ambientais e sociais. É uma lógica perceptível para toda a cadeia de valor: todos saem ganhando, especialmente o meio ambiente.

Por que contar com uma assessoria especializada faz diferença na gestão de resíduos em eventos?

Porque meta ambiental no papel não separa resíduo na hora H. A assessoria entra justamente na ponte entre a intenção e a operação. Ela define onde ficam os pontos de coleta, treina as equipes, alinha fornecedores e acompanha tudo de perto, da montagem à desmontagem. Com esse olhar técnico, é possível enxergar onde se desperdiça, onde a separação falha e para onde cada material realmente vai. Consequentemente, o organizador ganha controle sobre a destinação e segurança para mostrar resultados.

Na Eccaplan, esse trabalho acontece por meio do Sou Resíduo Zero. O programa acompanha o evento do planejamento ao relatório final, com monitoramento dos indicadores e comprovação dos resultados. Além disso, são anos de experiência em eventos de formatos e portes bem diferentes, o que nos ensinou que cada operação pede uma solução própria. Com isso, o resultado é uma gestão ambiental mais planejada, transparente e capaz de provar o que entrega.

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