Grandes eventos mobilizam muitas pessoas, marcas, fornecedores, estruturas e até mesmo cidades. Por isso, também geram impactos ambientais e sociais relevantes que não devem ser negligenciados por aqueles que os organizam.
Ao mesmo tempo, essa escala cria várias oportunidades para empresas, promotores e demais atores envolvidos.
Em outras palavras, eventos podem ser plataformas para testar soluções, estimular novas práticas e engajar, de fato, milhares de pessoas em torno de escolhas mais responsáveis.
Foi a partir dessa perspectiva que a Eccaplan, em parceria com a CIVI-CO, realizou o primeiro Fórum de Eventos Sustentáveis, durante a São Paulo Climate Week ’26, no dia 7 de agosto.
O encontro inédito reuniu profissionais e especialistas de diferentes áreas da indústria para discutir um desafio cada vez mais urgente: como transformar compromissos de sustentabilidade em ações concretas, sem “maquiagem”?
Neste artigo, reunimos uma síntese dos principais momentos e insights do encontro. Para acompanhar as discussões na íntegra, assista ao evento completo aqui.
Os pilares da responsabilidade na organização de um evento
A resposta que surgiu ao longo do Fórum foi unânime entre os participantes: a transformação precisa acontecer de forma integrada, da estratégia à operação.
Como resumiu Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan:
“Os mesmos desafios com que em nosso dia a dia nas empresas, também encontramos nos eventos, o que nos permite aplicar os princípios da agenda ESG, incluindo gestão de resíduos, redução de emissões de carbono, atenção a temas relativos à governança e sociedade.”
O conceito apresentado por Beltrame sintetiza um dos principais aprendizados do encontro.
Afinal, nenhum evento se torna mais sustentável por uma ação isolada e tampouco seus efeitos reverberam em um único nicho.

Sustentabilidade deixou de ser diferencial
Partindo da premissa de que o universo corporativo busca se alinhar às regulamentações e aos princípios de sustentabilidade, impulsionado também pela demanda dos stakeholders, o Fórum iniciou os debates abordando as expectativas do setor.
Com essa proposta, o primeiro painel buscou responder à provocação: “O futuro dos eventos sustentáveis: o que o mercado espera de organizadores e patrocinadores?”.
A discussão salientou, mais uma vez, um fato cada vez mais evidente: a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial. Atualmente, a pauta faz parte das exigências diretas de marcas, patrocinadores, consumidores e outros membros da cadeia de valor.
Além disso, a evolução das legislações ambientais aumenta a necessidade de planejamento, eficiência, transparência, mensuração e, se possível, compensação.
Nesse cenário, eventos sustentáveis precisam ir além de uma alegação de “responsabilidade ambiental” ou da distribuição de materiais promocionais recicláveis.
É necessário incorporar critérios ambientais e sociais rigorosos desde o início do projeto. Isso envolve, por exemplo, um sistema de gestão de resíduos, atenção aos modais de deslocamento do público, entre outros fatores que seguem um ciclo, como especificamos no framework abaixo:

Assim, a sustentabilidade transpõe o campo do discurso e consolida-se como pilar estratégico e vantagem competitiva na gestão de eventos.
O papel e as escolhas de organizadores e empresas
Em resumo, o desafio colocado aos painelistas era responder a uma questão cada vez mais presente no setor: como organizadores, produtores e empresas podem alinhar suas decisões a um cenário de exigências ambientais cada vez maiores?
Os insights apresentados por Roberta Yoshida, do Grupo RADAR, Felipe Lefevre, da Agência Malta, Beatriz Estevan, do Coala Music, Alexia Catharina, do Grupo HEINEKEN, e Mariana Camardelli, da Agência Profile e TEDxAmazônia, apontaram para uma mudança real de perspectiva.
Para os painelistas, a sustentabilidade é parte intrínseca das decisões que definem o projeto. Isso inclui desde a estratégia inicial até a relação com fornecedores, patrocinadores, parceiros e público. E muito além.
Ademais, quando se trata de um evento recorrente, é fundamental olhar para as experiências anteriores. Avaliar os avanços, identificar os gargalos e entender o que pode ser aprimorado permite estabelecer metas mais consistentes para as próximas edições.
Dessa forma, cada evento pode avançar em direção a uma atuação cada vez mais coerente com os compromissos ambientais e climáticos assumidos.
Nesse sentido, o primeiro painel mostrou que a pressão por eventos mais sustentáveis vem de diferentes direções.
Marcas e patrocinadores têm compromissos ambientais próprios. Por sua vez, organizadores e produtores precisam responder às novas demandas do mercado. Além disso, o público está cada vez mais atento aos impactos associados às experiências de consumo.
Beatriz Estevam, ao compartilhar sua experiência com o Coala Music, salientou um ponto relevante:
“Após a pandemia, não desistimos da gestão sustentável, por isso, buscamos marcar que tivessem esse match com a questão ambiental. Estabelecemos uma parceria com uma empresa de bebidas que custeou a gestão de resíduos do nosso evento.”
Assim sendo, o compromisso socioambiental influencia diretamente o planejamento do evento. Afinal, não é mais viável criar um projeto desvinculado desse propósito.
Além disso, os parceiros e patrocinadores também passam a adotar essa mentalidade, unindo perspectivas que transformam intenções em ações práticas e resultados mensuráveis.

Da visão de mercado à transformação
A discussão do primeiro painel preparou o terreno para os momentos seguintes do Fórum. Se o mercado já espera mudanças, a próxima pergunta é inevitável: como colocar essas mudanças em prática?
Foi justamente esse o tema do segundo painel, dedicado à passagem da estratégia para a operação. A conversa contou com a participação de Priscila Lacerda, da AMPRO, Juliana Pekim, do Expo Center Norte, Vinícius Rojo, da Rojo Gastronomia, Rayssa Scotton, da IMM, e Natallia Allmeida, da Eccaplan.
Cada um dos especialistas analisou de forma aprofundada questões como gestão de resíduos, logística reversa, descarbonização, neutralização de emissões e inclusão de cooperativas na cadeia de valor na prática de quem prepara um encontro de médio ou grande porte.
As análises de quem vivencia o setor na prática
Juliana Pekim enfatizou a dimensão social como pilar da responsabilidade ambiental. Para ela, a experiência do participante exige acolhimento genuíno e integração, sem espaço para segregações.
Em seguida, Natallia Allmeida reforçou esse ponto de vista fundamental. A Head de ESG da Eccaplan defendeu a urgência de incorporar acessibilidade, diversidade e inclusão desde o início do projeto. De acordo com sua experiência, alguns fatores participam para a consecução desse resultado:
“Primeiro, é preciso ter meta. Quanto o patrocinador, o organizador e a empresa têm metas claras, tudo converge para que todas as ações previstas aconteçam. O diálogo também permite que, antes, durante e no pós-evento, se firme uma sinergia. E a flexibilidade operacional, que viabiliza contornar os imprevistos sem abrir mão do compromisso social e ambiental.”
Por sua vez, Vinícius Rojo trouxe um tema frequentemente negligenciado no setor: o serviço de alimentação. Ao alinhar a governança ambiental à experiência gastronômica dos participantes, o especialista demonstrou que é possível fazer escolhas sustentáveis sem abrir mão do sabor, elemento indispensável para o sucesso de qualquer encontro.
Na mesma linha, Rayssa Scotton reforçou essa ideia ao destacar que são as pequenas decisões do dia a dia que definem o tom do projeto. Em última análise, essas definições determinarão se o evento deixará, de fato, um legado positivo no âmbito socioambiental.
O evento como plataforma de impacto
O conjunto dessas visões ajudaram a conectar os diferentes momentos do Fórum, de forma que todos pudessem sair com um aprendizado pronto para ser posto em prática.
De um lado, organizadores e patrocinadores precisam responder a novas expectativas. De outro, precisam transformar essas expectativas em decisões concretas.
E, mais ainda, podem usar a própria escala dos eventos para influenciar comportamentos e estimular novas práticas.
É nesse ponto que sustentabilidade e estratégia se encontram e cada uma cumpre seu papel.
Caminhos possíveis e perspectivas futuras
A mesa-redonda final, que reuniu Vanessa Pinsky, Top Voice de Sustentabilidade no LinkedIn, Sue Ellen Cury, da NürnbergMesse Brasil, e Fernando Beltrame buscou fazer uma síntese e elencar aprendizados, desafios e caminhos para uma evolução concreta.
Vanessa destacou o potencial do setor para liderar pelo exemplo na ação climática. Segundo ela, os eventos podem reduzir os impactos negativos de suas operações e, ao mesmo tempo, engajar milhões de pessoas em práticas de consumo consciente.

Assim, essa capacidade de influência é especialmente relevante porque um evento não termina no palco.
Ele envolve compras, transporte, alimentação, montagem, fornecedores, resíduos, energia, comunicação e comportamento do público. Portanto, cada uma dessas etapas representa uma oportunidade de impacto verificável e positivo.
Igualmente, a especialista chamou atenção para a importância de conhecer os princípios da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Esse conhecimento permite compreender os impactos associados aos insumos e materiais utilizados e, consequentemente, tomar decisões de compra mais sustentáveis.
A lógica vale também para a gestão de resíduos. Como destacou Vanessa:
“Reciclar e dar uma destinação correta aos rejeitos pós-eventos não é suficiente.”
A provocação amplia a discussão. Afinal, uma gestão sustentável começa antes de o resíduo existir, ou seja, na escolha dos materiais, na contratação dos fornecedores e no planejamento de cada etapa da operação. Ainda que isso
Assim, a pergunta feita no primeiro painel encontra uma resposta mais ampla na mesa-redonda. Espera-se que os diferentes agentes do setor assumam sua responsabilidade, mas também reconheçam o poder de transformação do setor, como foi ressaltado por Fernando Beltrame.
Mas por onde começar?
Para quem deseja aprofundar esse caminho, a Eccaplan desenvolveu o e-book Como organizar eventos mais sustentáveis.
O material reúne orientações práticas para incorporar critérios ESG às diferentes etapas de um evento, desde o planejamento até o pós-evento.
O conteúdo aborda temas como emissões de CO₂, materiais, fornecedores, acessibilidade, energia, montagem, mobilidade, alimentação, gestão de resíduos, compostagem e indicadores ESG.
Também apresenta cases brasileiros acompanhados pela Eccaplan e referências para apoiar decisões mais conscientes.
Assim, o e-book funciona como uma extensão prática das discussões realizadas no Fórum, balizando produtores, organizadores e empresas.
Se o encontro trouxe perguntas importantes sobre o futuro do setor, o material oferece caminhos para começar a colocar essas respostas em prática.
Leve a sustentabilidade para o seu próximo evento
Como vimos, transformar compromissos em prática exige planejamento, sinergia, metas e acompanhamento.
Para apoiar empresas e organizadores nessa jornada, a Eccaplan oferece soluções que ajudam a reduzir e gerenciar os impactos ambientais dos eventos.
Com o Selo Evento Neutro, é possível quantificar as emissões de gases de efeito estufa do evento e neutralizar aquelas que não puderem ser evitadas.
Já a solução Sou Resíduo Zero apoia a gestão responsável dos resíduos, com foco na redução, recuperação e destinação adequada dos materiais.
São caminhos diferentes, que podem ser integrados de acordo com os objetivos e as características de cada evento.
Quer saber como aplicar essas e outras soluções no seu próximo evento? Fale com o nosso time!

