A precificação de carbono vem ganhando espaço nas políticas climáticas e na economia global.
De acordo com o Grupo Banco Mundial, 87 políticas de precificação direta já cobrem quase 30% das emissões globais, enquanto a cobertura dos sistemas de comércio de emissões triplicou desde 2016
No Brasil, 2026 marca uma etapa importante da implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o SBCE.
Embora o mercado regulado ainda não esteja operando plenamente, avançaram as discussões sobre os setores abrangidos, as regras de Monitoramento, Relato e Verificação, as metodologias para reconhecimento de ativos e o desenvolvimento do Registro Central.
Mercado de carbono no Brasil em 2026: o que você precisa saber
Em resumo, o SBCE ainda está em fase de implementação. Hoje em dia, as empresas não estão sujeitas à conciliação obrigatória de suas emissões.
Em outras palavras, ainda não há uma obrigação geral e imediata de aquisição de ativos.
Isso não significa, porém, que as organizações devam esperar a regulamentação completa do sistema para começar a se preparar.
A construção técnica do SBCE já avançou, esse é um fato inegável.
Nesse sentido, empresas potencialmente abrangidas pelas futuras regras devem aproveitar este período para avaliar suas emissões por instalação, revisar seus inventários e estruturar os processos de coleta, documentação e verificação dos dados.
Entre os principais pontos a acompanhar estão:
- o cronograma de entrada dos diferentes setores no sistema ainda está sendo definido;
- as regras de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) estão em construção;
- os limites de 10 mil e 25 mil tCO₂e ainda dependem de regulamentação para sua aplicação;
- o Plano Nacional de Alocação ainda não foi aprovado;
- as empresas ainda não estão realizando a conciliação de suas emissões;
- inventários robustos e dados consistentes serão fundamentais para o cumprimento das futuras obrigações.
Assim, mais do que acompanhar a regulamentação, o momento atual exige preparação.
Quanto mais estruturados estiverem os dados, processos e inventários de uma organização, maior será sua capacidade de responder às exigências do SBCE quando as obrigações entrarem efetivamente em vigor.
Para compreender os conceitos e o funcionamento dos mercados regulado e voluntário, consulte nosso conteúdo completo sobre o que é o mercado de carbono

Em que fase está o mercado regulado brasileiro?
A Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, instituiu o mercado regulado brasileiro, criando também o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
A lei estabeleceu as bases jurídicas do sistema, mas muito mais do que isso. Definiu seus principais ativos e determinou obrigações gerais para os operadores responsáveis pelas instalações e fontes que passem a estar sob regulamentos.
No entanto, a aprovação da lei foi apenas o ponto de partida. Para que o SBCE possa operar de forma efetiva, é necessário regulamentar uma série de aspectos técnicos e operacionais que vão determinar, na prática, como o sistema funcionará e quais empresas estarão sujeitas às suas regras.
Entre os principais pontos que ainda precisam de revisão ou regulamentação estão:

Portanto, ainda não é possível afirmar quanto cada setor poderá emitir, quantas cotas cada instalação receberá ou qual será o custo efetivo de cumprimento das obrigações.
Quais setores poderão entrar primeiro no SBCE?
Um dos principais temas de 2026 é a definição da cobertura setorial do mercado regulado brasileiro.
Afinal, antes que o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) possa operar plenamente, é necessário estabelecer quais setores e instalações estarão sujeitos às suas regras e quando essas obrigações começarão a valer.
Nesse contexto, em julho, o Ministério da Fazenda abriu uma consulta pública sobre a proposta de cronograma de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV). A proposta prevê uma implementação gradual do sistema, de modo que os diferentes setores passem a cumprir as obrigações de monitoramento, relato e verificação em momentos distintos. A consulta permanece aberta até 28 de agosto de 2026.
Na prática, essa etapa é importante porque permitirá construir uma base oficial de informações sobre as emissões das instalações que estarão sujeitas à regulação.
A partir desses dados, será possível avançar e alcançar a definição dos limites de emissão e na elaboração do Plano Nacional de Alocação.
É importante destacar, contudo, que a consulta pública sobre o cronograma de MRV não define, por si só, quanto cada empresa poderá emitir ou quantas cotas cada instalação receberá.
Antes disso, o sistema precisa estabelecer quais operações abranger, quais informações requerem monitoramento e reporte e, sobretudo, quando cada setor começará a cumprir suas obrigações.
Consequentemente, embora o mercado regulado ainda esteja em fase de implementação, a definição das regras de MRV representa um passo importante para transformar as diretrizes estabelecidas pela legislação em mecanismos concretos de funcionamento do SBCE.
Compensação de carbono: o que é e como funciona?
A compensação de carbono consiste no uso de créditos de carbono para compensar emissões de gases de efeito estufa que não foram evitadas ou reduzidas diretamente.
Em vez de considerar a compra de créditos como substituta da redução das emissões, uma estratégia climática consistente prioriza primeiro a mensuração e redução das emissões próprias e avalia o uso de créditos para as emissões residuais, de acordo com critérios e compromissos aplicáveis.
A compensação também não deve ser confundida automaticamente com neutralidade climática.
Uma alegação de neutralidade ou de compensação exige critérios claros sobre quais emissões estão sendo consideradas, quais créditos foram utilizados e como esses créditos foram retirados de circulação.
Exemplos de projetos de compensação e remoção
Agricultura regenerativa e soluções baseadas na natureza (NbS)
Práticas de manejo do solo, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), restauração de ecossistemas e outras soluções podem ajudar na retenção ou remoção de carbono. Igualmente, podem gerar benefícios relacionados à biodiversidade, à conservação do solo e à resiliência hídrica.
O biochar também possui aplicabilidade para a remoção de carbono, desde que o projeto seja elegível segundo uma metodologia específica e tenha suas reduções ou remoções devidamente quantificadas e verificadas.
Energia renovável e transição energética
Projetos de energia solar, eólica, biomassa, eficiência energética e outras soluções de transição energética contribuem para a redução de emissões.
A possibilidade de geração de créditos de carbono, porém, depende da metodologia utilizada, da definição da linha de base, da adicionalidade e dos demais critérios aplicáveis ao projeto.
Preservação florestal e restauração
Iniciativas de redução de emissões por desmatamento e degradação florestal, como projetos e programas associados a REDD+, e projetos de restauração florestal, frequentemente classificados como ARR (Afforestation, Reforestation and Revegetation), são capazes de reduzir ou remover de emissões quando atendem aos requisitos das metodologias aplicáveis.
A integridade desses projetos também depende da observância de critérios de adicionalidade, permanência, mensuração, monitoramento, verificação e salvaguardas socioambientais.

O funcionamento da negociação de créditos de carbono
A negociação de créditos de carbono envolve a compra e venda de ativos que representam reduções, retenções ou remoções verificadas de emissões, geralmente equivalentes a 1 tCO₂e por crédito.
Com o amadurecimento do mercado, questões como integridade, adicionalidade, permanência, rastreabilidade e prevenção da dupla contagem passaram a ocupar posição central na avaliação dos créditos.
Nesse sentido, plataformas de negociação representam um meio de facilitar a conexão entre oferta e demanda, além de reunir informações sobre origem, características e disponibilidade dos créditos.
O passo a passo da negociação (trading):
- Certificação do projeto: os projetos seguem padrões e metodologias específicos, que estabelecem critérios para quantificar as reduções ou remoções de emissões. Entre os padrões e programas utilizados internacionalmente estão Verra, Gold Standard, SocialCarbon e Plan Vivo, cada um com suas próprias regras e metodologias.
- Listagem e negociação: Depois de emitidos e registrados conforme as regras do respectivo mercado ou padrão, os créditos podem ser disponibilizados para negociação. Plataformas como a Carbonfair podem conectar compradores e vendedores e facilitar a consulta às informações disponíveis sobre os créditos e suas transações.
- Aposentadoria (cancelamento definitivo): Quando um crédito é utilizado para uma finalidade climática declarada, ele deve ser retirado de circulação no registro correspondente, processo conhecido internacionalmente como aposentadoria (retirement). Esse processo impede que o mesmo crédito circule novamente, contribuindo para evitar a dupla utilização do ativo.
Certificações e metodologias para a credibilidade
Padrões, metodologias e processos independentes de validação e verificação desempenham papel fundamental na transparência e na governança do mercado de carbono.
Eles estabelecem critérios para avaliar aspectos como a quantificação das reduções ou remoções, adicionalidade, permanência, monitoramento, rastreabilidade e prevenção da dupla contagem.
Nesse contexto, iniciativas como as do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) buscam estabelecer critérios de integridade para programas de créditos e categorias de projetos, reforçando a importância de atributos como governança, quantificação robusta, verificação independente e salvaguardas socioambientais.
Tecnologias de monitoramento remoto, imagens de satélite e sistemas digitais de rastreabilidade também podem ampliar a capacidade de acompanhamento dos projetos e de verificação das informações.
É importante, porém, diferenciar padrões e certificadoras das regras internacionais do Artigo 6 do Acordo de Paris.
O Artigo 6 estabelece mecanismos de cooperação internacional entre países, enquanto padrões e programas de crédito estabelecem regras para geração, quantificação e verificação dos créditos.
Em determinadas situações, créditos ou resultados de mitigação podem estar sujeitos também às regras e autorizações previstas nesse item.
Como se posicionar estrategicamente atualmente?
Para atuar no mercado de carbono de forma alinhada às exigências atuais de governança climática e ESG, é necessário considerar os seguintes fatores:
Inventário de Emissões (MRV): O ponto de partida é quantificar o impacto ambiental por meio de um inventário estruturado nos Escopos 1, 2 e 3, estabelecendo uma base sólida de Monitoramento, Relato e Verificação.
Estratégia de descarbonização e compensação: Prioriza-se a redução interna de emissões por eficiência operacional. Para as emissões residuais de difícil abatimento, a empresa define metas de neutralidade adquirindo créditos de alta integridade.
Valor reputacional e competitividade: O engajamento transparente atrai investidores institucionais, atende a normas de reporte e posiciona a marca com diferencial competitivo em cadeias de valor globais.
O marco do SBCE e as oportunidades operacionais
De forma geral, a criação do SBCE representa uma mudança importante no ambiente regulatório brasileiro.
Apesar de o mercado regulado ainda não estar em plena operação, empresas potencialmente abrangidas podem começar a se preparar.
Algumas estratégias incluem a melhoria dos inventários de emissões, estruturação de processos de MRV, identificação de riscos regulatórios e avaliação de oportunidades de redução.
O Brasil também apresenta potencial relevante para projetos de redução e remoção de emissões, especialmente em áreas relacionadas à conservação e restauração florestal, agricultura, bioeconomia e transição energética.
Ao mesmo tempo, o país está estruturando regras para a transferência internacional de resultados de mitigação, em conexão com o Artigo 6 do Acordo de Paris.
Em 2026, o governo federal avançou na regulamentação desses mecanismos, incluindo consultas públicas sobre transferências internacionais de créditos de carbono.
Para empresas e investidores, esse processo amplia a necessidade de acompanhar a evolução do mercado voluntário. Nesse sentido, a construção do mercado regulado brasileiro e suas futuras conexões com mecanismos internacionais também se torna alvo de atenção especial.
O futuro da precificação do carbono
A evolução da precificação de carbono tende a ser impulsionada pela expansão dos mercados regulados.
Porém, outros aspectos participam, incluindo o amadurecimento do mercado voluntário e o avanço dos mecanismos internacionais de cooperação.
Ao mesmo tempo, tecnologias de monitoramento remoto, análise de dados e rastreabilidade digital podem ampliar a capacidade de acompanhar projetos e verificar resultados.
Soluções de remoção de carbono também devem ganhar espaço à medida que empresas e governos busquem alternativas para lidar com emissões residuais e metas climáticas de longo prazo.
Dessa forma, a qualidade dos créditos, a transparência das informações e a capacidade de demonstrar resultados verificáveis tendem a ser cada vez mais importantes para o valor e a credibilidade dos ativos de carbono.
Transforme emissões em oportunidades
O mercado de carbono é uma ferramenta vital no combate às mudanças climáticas, pois permite reduzir e compensar emissões de forma eficiente.
Portanto, empresas e governos podem investir em projetos sustentáveis, gerar créditos e contribuir para um futuro mais verde.
Se sua empresa ainda não está envolvida nesse movimento, agora é o momento ideal para aprender como neutralizar carbono de forma prática e estratégica.
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Selos de neutralização de carbono
Auxiliamos, reconhecemos e certificamos empresas e eventos que adotam práticas sustentáveis, fortalecendo sua imagem no mercado.
Ações sustentáveis para eventos
Implementamos soluções para reduzir e compensar o impacto ambiental de eventos, como logística sustentável, gestão de resíduos e neutralização de carbono.
Calculadora de emissões
Essa ferramenta também auxilia quem busca entender como neutralizar carbono a partir de dados precisos de sua pegada, podendo ser usada por indivíduos, empresas e eventos, facilitando a adoção de medidas para compensação.
Além disso, os serviços incluem o desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade e a implementação de ações para mitigar os impactos ambientais.
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